Fórum discute transformações do forró na primeira noite de debates

Funcaju
02/06/2011 16h49
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Presente, passado e futuro: as transformações do forró ao longo dos anos foi a temática do primeiro dia de debates da décima edição do ‘Fórum de Forró de Aracaju'. O evento, realizado pela Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Esporte (Funcaju), começou na noite da última quarta-feira, 01, e prossegue até a próxima sexta-feira, no Centro de Convenções de Sergipe. Para falar sobre o assunto, foram convidados o escritor e compositor pernambucano, Bráulio Tavares, além do cantor e compositor Targino Gondim. Também participaram da mesa de palestrantes o professor e pesquisador José Paulino e o idealizador do Fórum de Forró, Paulo Corrêa.

"Há quem diga que quem defende a tradição é uma pessoa que se apega ao passado, mas Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Zé Dantas e tantos outros não são passado. O passado é o que já passou. Esses nomes são presente porque ainda hoje são ouvidos e continuam a ser referência", afirmou Bráulio Tavares, sendo ovacionado pela platéia.

E esse foi o rumo da conversa ao longo do evento. O compositor pernambucano foi além. "Não cabe a nós cultuar o passado. O que a gente tem que fazer é preservar o presente e, assim, construir o futuro", defendeu. Bráulio concluiu o seu raciocínio afirmando que o Rei do Baião, bem como os grandes ícones do forró, têm tudo para serem também o futuro da música nordestina.

O cantor pernambucano, Targino Gondim, que ficou conhecido nacionalmente pela sua composição ‘Esperando na Janela', analisou o forró como cultura em movimento. Ele tomou como exemplo a sua própria carreira, que começou em 1996, com a gravação do primeiro CD. Targino, que hoje vai para o seu 18° álbum de canções autorais, faz parte de uma geração que viu nascer o que hoje é conhecido como ‘forró eletrônico'. "Eu acompanhei o surgimento de bandas como  'Mastruz com Leite' e 'Forró Maior' e digo que achei muito bom o som. É bem verdade que o próprio forró eletrônico mudou muito de lá pra cá, mas a transformação também faz parte da música", explicou.

Targino deixou clara a sua preferência pelo forró tradicional, mas ele sustentou que a preferência não significa que o forró é um gênero fechado a novas influências. "Luiz Gonzaga não ficou preso à zabumba e ao triângulo, ele era um inovador. Eu mesmo gosto muito e uso na minha banda a guitarra e o contrabaixo, mas dando destaque à sanfona, afinal de contas, um bom forró não pode abrir mão da sanfona e tem que respeitar a tradição", ponderou. 

Forró brasileiro

"Quando Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira gravaram as primeiras composições no Rio de Janeiro, o xote, o xaxado e o baião deixaram de ser unicamente música nordestina e passaram a ser música brasileira", foi o que declarou Bráulio Tavares, lembrando que Sivuca ainda hoje é referência para os músicos brasileiros. "Ele tem uma produção vastíssima. Ainda hoje se encontramos coisas novas dele", disse.

Além disso, segundo o compositor pernambucano, o forró foi destaque nas transformações culturais que o país sofreu no século passado. "João do Vale mexeu com a música brasileira na década de 1960 quando subiu ao palco do Teatro Opinião, no Rio de Janeiro, com a sua pele negra, o sorriso largo e os pés descalços junto com Nara Leão, lembrou.

"O Fórum de Forró se dedicou a reafirmar uma parte muito importante da música brasileira. Uma música madura, ao nível do que foi criado neste país de mais elevado no terreno cultural no último século. Está de parabéns o Fórum de Forró", concluiu.