Alunos do 'Brasil Alfabetizado' participam de caminhada da leitura

Educação
08/06/2011 17h22
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Em vez de quadros negros e livros didáticos, as legendas encontradas nas estátuas de ilustres personagens que ajudaram a compor a história de Sergipe foram recursos utilizados por dezenas de alunos inseridos no Programa Brasil Alfabetizado. Na noite dessa terça-feira, 7, eles participaram da caminhada da leitura, que tem como objetivo estimular a prática em pontos turísticos de Aracaju para diagnosticar o nível de conhecimento dos educandos e avaliar o desempenho dos alfabetizadores.

Realizado pelo Ministério da Educação desde 2003, o programa é voltado para a alfabetização de jovens, adultos e idosos. De acordo com a gestora local, Izabel Cristina Santos, que também é técnica da Secretaria Municipal da Educação (Semed), por meio da parceria mantida entre a Prefeitura de Aracaju e o Governo Federal, até 2010 foram alfabetizados cerca de 2.300 cidadãos.

"O aluno só é considerado alfabetizado quando sabe ler, escrever e quando consegue contextualizar os conteúdos absorvidos, estando apto a realizar uma leitura de mundo. Na caminhada da leitura, ele percebe que está inserido numa sociedade letrada e o quanto é importante se apropriar de tais práticas para que se tenha acesso aos bens culturais", explicou Izabel Santos, ao frisar que o procedimento acontece no processo final de alfabetização, antes da aplicação do teste cognitivo de saída, utilizado para o mesmo fim.

Os entraves diagnosticados no processo de aprendizagem são solucionados em capacitações promovidas para alfabetizadores, que são orientados pelos coordenadores de turmas e pela gestora local do Brasil Alfabetizado. Os encontros acontecem quinzenalmente no Centro de Aperfeiçoamento de Recursos Humanos (Cemarh), localizado no bairro Siqueira Campos, e têm duração de 4 horas. Antes mesmo do início das aulas, os alfabetizadores e coordenadores de turmas também são beneficiados com uma formação inicial realizada durante uma semana, cuja carga horária é de 40 horas.

Satisfação

A arte de ensinar a ler e a escrever se tornou uma prática indispensável na vida da alfabetizadora Maria Amélia da Silva Santos, de 36 anos. No espaço denominado Centro Educacional ‘El Shaddai', localizado no bairro Santos Dumont, o que mais incentiva os seus 14 alunos inseridos no Programa Brasil Alfabetizado é o prazer de ensinar e de entender as limitações de cada um. "Nessas horas, cultivar a paciência é um dom que se transforma em milhares de bênçãos. Contribuir para a formação de cada aluno é crer que ao concluir o processo de aprendizagem, eles levarão consigo o melhor de mim", declarou emocionada.

Histórias como as de Lindinalva Bezerra, de 59 anos, justificam o interesse de cidadãs como Maria Amélia, de se tornar uma alfabetizadora. "Fui criada na zona rural e casei quando ainda era muito jovem. Lamentei muito o fato de o meu marido nunca ter me deixado estudar, mas, aos 52 anos, a minha tristeza se transformou em alegria quando resolvi me matricular no Programa Brasil Alfabetizado. Hoje consigo ler a Bíblia Sagrada, os anúncios distribuídos na cidade, das revistas e dos jornais. Até já ganhei meu certificado de conclusão do curso, mas preferi não me afastar dos colegas, da alfabetizadora e, principalmente, da aprendizagem", afirmou Lindinalva.