Com o aumento das chuvas, vem aumentando também a atenção do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) de Aracaju no combate à esquistossomose. A doença, conhecida popularmente como barriga d'água, é transmitida pelo contato com um tipo específico de caramujo infectado e causa sérios danos à saúde. Por isso, é importante que a população esteja atenta à presença do molusco, que normalmente vive em locais úmidos e alagados.
Somente uma espécie de caramujos, a Biomphalaria glabrata, é transmissora da esquistossomose. Ela é encontrada exclusivamente em regiões aquosas, a exemplo de lagos e pequenos córregos. A falta de saneamento básico está diretamente ligada à transmissão da doença, uma vez que as fezes humanas infectadas são vitais para que o ciclo da verminose se complete. Os bairros Santa Maria, Mosqueiro, Rubalo, Areia Branca e Aeroporto são as comunidades mais acometidas pelo problema, segundo a coordenação do Centro de Controle de Zoonoses.
Durante este ano as equipes do CCZ testaram mais de 16.300 aracajuanos. Esses testes confirmaram a contaminação de 906 pessoas em dez das 17 localidades visitadas. O órgão realiza um monitoramento constante das coleções hídricas - locais onde há um acúmulo perene de água -, nas quais caramujos infectados já foram encontrados. O CCZ também está apto a atender as solicitações das pessoas que evidenciarem a presença do molusco em suas casas ou comunidades. No entanto, a maioria das chamadas resulta no encontro de outra espécie, a africana, incapaz de transmitir a verminose.
Caramujo africano
Encontrar caramujos dentro de casa, subindo as paredes, por exemplo, não é motivo para grandes preocupações. Essa espécie com a habilidade de movimentar-se em locais secos é conhecida como o caramujo gigante africano e não possui doenças associadas ao seu contato com humanos.
Considerado uma iguaria da culinária, o pequeno animal foi trazido ao Brasil com o intuito de ser vendido a restaurantes, mas o molusco acabou proliferando-se além do controle dos criadores e hoje gera muita dor de cabeça em vários estados brasileiros. Por se alimentar de maneira voraz de plantações, os maiores danos que ele causa são à agricultura.
Mesmo sem oferecer riscos diretos à saúde pública, o caramujo africano também exige alguns cuidados no seu manuseio. A recomendação do coordenador do Centro de Combate a Zoonoses de Aracaju, Paulo Thiago dos Santos, é que esses animais sejam queimados e, em seguida, sejam quebradas as suas conchas. "Mesmo não transmitindo doenças, esses caramujos ainda oferecem um certo risco. Como eles são grandes, quando mortos suas conchas podem funcionar como pequenos reservatórios de água e potenciais criadouros do mosquito transmissor da dengue", explica.
Esquistossomose
O caramujo da esquistossomose é menor e menos comum do que a espécie africana, no entanto o perigo aliado à sua proliferação e ao eventual contato com as pessoas é bem maior. A infecção não tratada pode inclusive resultar em problemas graves como paralisia, aumento do tamanho do fígado e baço e até mesmo a morte. Por isso, essa espécie exige um conjunto de ações mais complexo e atencioso por parte do poder público.
Um dos trabalhos de prevenção desenvolvidos pelo CCZ é o inquérito malacológico. O processo inclui o mapeamento das áreas de risco, coleta de moluscos e subsequente exame, a fim de determinar se o local possui caramujos contaminados. Em 2011, já foram capturados cerca de 1.080 caramujos da espécie hospedeira do esquistossomo. Um total de 264 mostraram-se infectados com o parasita.
O centro também faz exames parasitológicos nos os moradores dessas comunidades. Coletores de fezes são distribuídos nas áreas de risco e, quando testadas positivamente para a doença, as pessoas contaminadas são encaminhadas para as unidades de saúde para que realizem o tratamento adequado. O coordenador do CCZ explica que os remédios de vermes vendidos em farmácias não são eficientes no combate a doença, e por isso é essencial que os pacientes não abram mão do acompanhamento médico.
"O tratamento contra a esquistossomose é complexo e a medicação só pode ser administrada nas unidades de saúde. Em casos graves é ainda necessário o retorno para continuidade do tratamento seis meses depois da primeira etapa", esclarece o coordenador do CCZ. "É de extrema importância que as pessoas infectadas não se auto-mediquem e que concluam o tratamento por inteiro. Só assim a infecção é curada", adverte.
Cuidados
O Centro de Controle de Zoonoses trabalha para tratar todos os casos de esquistossomose, evitando que caramujos e humanos infectados reiniciem o ciclo do parasita que causa a doença. Os cuidados com a saúde, no entanto, ainda são a melhor maneira de se prevenir. Evitar a disposição de fezes em locais inadequados e o contato (pisar ou tomar banho) com águas naturais onde haja indícios de evacuações próximas ou que se saiba da presença de caramujos são as formas mais eficazes de prevenção.
Pessoas que tenham problemas com infestações de caramujos, independente da espécie, devem entrar em contato com o CCZ. Os técnicos do Centro irão ao local a fim de identificar a espécie e definir o melhor curso de ação para a eliminação do problema. Os telefones de contato são (79) 3179-3528, (79) 3179-3565 ou (79) 3179-3564 e o horário de atendimento vai das 7h às 12h e das 14h às 17h.