Especialista fala dos cuidados para controlar o diabetes

Agência Aracaju de Notícias
16/11/2011 12h17
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Há dois anos, Vânia Maria de Souza, 45, começou a perder muito peso e sentir uma sede descontrolada. Ao procurar um médico, descobriu que estava com diabetes e que teria que mudar seus hábitos imediatamente. Dona Vânia tem histórico da doença na família e não conseguiu escapar dela. "Logo que descobri que estava com diabetes tive que mudar a alimentação e, principalmente, cortar o consumo de açúcar e  de alimentos gordurosos completamente".

A alimentação de um diabético é extremamente restrita e cautelosa. Segundo o endocrinologista, Dr. Carlos Alberto Menezes, é preciso evitar completamente carboidratos e açúcar. "No começo, o que mais senti falta foi carne bovina, massas e doces em geral. Foi muito difícil", conta Vânia.

Macaxeira, cuscuz, farinha, inhame, mel e pão, são alimentos que precisam ser ingeridos com cautela. Segundo Dr. Carlos, os derivados de milho e todas as raízes só podem ser ingeridos uma vez por semana. "No café da manhã eu como pão integral, mingau de aveia com adoçante e cuscuz de arroz", conta Vânia.

Segundo o endocrinologista, qualquer fruta pode ser ingerida pelo diabético, pois o açúcar presente nela é frutose, e o que o diabético precisa restringir é a glicose. "Pode comer, mas tem que ser, no máximo, duas porções de frutas por dia", conta ele. É recomendável dar preferência para as frutas como baixo índice glicêmico, que são aquelas que têm açúcar menos doce e com metabolização mais rápida, como o abacaxi. Frutas como manga, caqui, mamão e uva são algumas que tem que ter mais cuidado, pois elas têm alto índice glicêmico.

Com relação à carne, é recomendável dar preferência para a branca, pois o diabético geralmente são pessoas de idade, que, na maioria das vezes, têm outras doenças como colesterol alto, pressão alta, e a carne vermelha tem alto teor de gordura, devendo assim ser evitada. "Mesmo assim, é preciso ter cuidado com a quantidade de frango e peixe ingerida, pois devido a alta quantidade de proteína, pode afetar os rins do diabético", conta o especialista. Assim, é recomendado ingerir frango três vezes por semana, peixe e carne vermelha sem gordura, somente uma vez por semana.

"Quando sinto vontade de comer alguma coisa, saio de perto. Tinha costume de depois do almoço sempre chupar uma bala de café ou sorvete e agora não posso mais. Mas tudo vai acostumando", declara Vânia. Segundo ela, a mudança de hábitos atingiu todos da casa. "Todo mundo come o que eu como. Por exemplo, todo mundo dá preferência ao adoçante em vez do açúcar", diz. Segundo o endocrinologista é importante trocar o açúcar por um adoçante que seja menos calórico, como o Finn e o Zero Cal.

Controle

Assim, o importante para o diabético é se alimentar de três em três horas e respeitar o horário regular das refeições, para que evite baixar demais o açúcar no sangue, podendo levar a complicações. "Faço exercício físico três vezes na semana, caminhada e aeróbica, e isso me ajuda a diminuir o uso de medicamentos e controlar a doença", afirma Vânia. O médico alerta que não pode fazer atividade física em jejum, devendo sempre comer uma fruta ou tomar um suco.

A gravidez de uma diabética é bastante complicada, pois há grandes chances do filho nascer com a doença. Segundo Dr. Carlos, a primeira providência é retirar todos os medicamentos e começar a tratar a paciente com insulina. "Outro cuidado que temos é que a paciente não engorde tanto, no máximo 12kg, e tenha uma alimentação bem equilibrada", conta ele.

Amputação

A pessoa com diabetes precisa ainda ter cuidados especiais com seus pés. A doença causa complicações nos vasos sanguíneos, levando a problemas de coração, rins, formigamento, dores nas pernas o que, em casos mais graves, pode levar à amputação do pé. Assim, o que precisa fazer para evitar chegar a essa etapa é controlar o diabetes. "Controlar previne complicações crônicas. Mesmo assim pode surgir uma complicação que leve a amputação", explica o endocrinologista.

Então, alguns cuidados devem ser tomados para evitar alterações na doença, como usar sapatos confortáveis e que não fiquem muito abafados nas laterais para evitar calo e infecção; nunca cortar as unhas lateralmente, cortar perpendicular, para evitar infecção nos cantos das unhas; enxugar os pés entre os dedos porque pode gerar fungo e causar infecção; e ir para um pedólogo. "Ter muito cuidado com calos, pois pode causar uma ferida e levar à amputação, e nunca andar descalço no quintal, pois, às vezes, a doença afeta a circulação e a pessoa se machuca e não sente, causando uma infecção maior", explica o médico.