A Prefeitura Municipal de Aracaju, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, atua na luta contra as drogas. Exemplo claro disso é a existência do Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (Caps-AD), no qual há assistência aos usuários, além de todo um trabalho preventivo. No que concerne à prevenção, o Caps-AD estabelece uma diferenciação de níveis; a prevenção primária é voltada às pessoas que nunca usaram drogas; a secundária é focada nos usuários chamados usuários sociais e a prevenção terciária é direcionada àquelas pessoas que usam as drogas de maneira abusiva. Nesse terceiro caso, é realizado um trabalho no qual elas obtêm noções e medidas de como levar a vida com menos risco.
Visando abrandar os danos causados por essa última categoria, neste ano de 2012 a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) em parceria com a Secretaria Municipal de Educação (Semed) realizou quatro oficinas, ofertadas a duzentos professores, com a finalidade de criar uma ação de prevenção de drogas no ambiente escolar. A SMS também capacitou os profissionais que estão nas Unidades de Saúde da Família, para que eles também possam agir ativa e qualitativamente na prevenção.
A Secretaria Municipal de Saúde ainda mantém um projeto de redução de danos, composto hoje por uma equipe de quatorze pessoas. O projeto faz o trabalho de educação de saúde, com atuação nas ruas, nas cenas do uso de drogas da cidade.
Aracaju possui hoje quatro pólos de saúde. Há uma dupla de redutor de danos para cada região de saúde. O redutor se aproxima e mapeia essas áreas, percebendo onde está localizada a cena de uso, seja álcool ou drogas ilícitas. A partir do trabalho de observação, os redutores de danos estudam maneiras de abordagem e após ser realizada passa-se para as estratégias de prevenção. Mas não só prevenção. É uma espécie de ponte entre pessoas que muitas vezes ficam à margem e os dispositivos de saúde. Os encaminhamentos mais comuns, nos casos mais graves, são para os Caps-AD e Caps-Infantil.
Além dos redutores de danos, estão envolvidos no trabalho outros profissionais, como psicólogos, assistentes sociais, educador físico, equipe de enfermaria, equipe médica, oficineiros e farmacêuticos. O serviço disponibilizado pelo Centro de Atenção Psicossocial é de portas abertas. Com isso, o usuário em questão pode ser encaminhado ou pode ir por conta própria. Logo ao chegar ao Caps-AD Álcool e Drogas Primavera a pessoa passa pelo acolhimento, onde um profissional realiza um procedimento de escuta de triagem, ou seja, analisa se o usuário tem perfil para ser atendido de fato no Caps-AD ou se deve ser encaminhado a outro setor. Caso o perfil em questão seja de atendimento no Caps-AD, um técnico de referência ficará à frente nos cuidados dessa pessoa, contando com toda a equipe no atendimento em questão.
Atendimento
Há três modalidades de usuário: semi-intensivo, intensivo e não intensivo. Uma pessoa em crise, muito debilitada, fazendo o uso muito abusivo das drogas vai ser inserida na modalidade intensiva e irá ao Centro todos os dias, nos dois turnos. “A partir do momento em que essa pessoa conseguir ter avanços nesses cuidados ela não vai passar direto para um processo de alta, mas, sim, reduzirá em dias semanais sua ida ao Centro, algo importante até mesmo para que ela possa estar voltando aos poucos a se inserir na sociedade”, afirmou a coordenadora do Caps-AD.
“A vida da gente é uma roda viva. Hoje se vivencia situações que se pode ou não vivenciar amanhã. Assim, não quer dizer que a questão da droga estará relacionada a todas as questões da vida. Por isso o Caps acompanha o usuário enquanto ele está ativo no serviço, no sentido de orientá-lo, e a partir do momento em que ele consegue ter os ganhos que foram traçados nos objetivos, chega o momento de alta”, explica Ellen Miranda, coordenadora do Caps-AD.
O Centro Psicossocial Álcool e Drogas não trabalha com internação e o tempo em que o usuário for passar sob cuidado não é um tempo delimitado. Em cada caso individual é traçado um projeto terapêutico onde estarão contemplados tanto os dias de frequência desse usuário quanto o que ele busca no serviço. Caso seja percebido que a demanda desse usuário é mais social, serão pensadas atividades relacionadas a essa questão. Dessa maneira, a permanência do usuário se dá no tempo necessário para que seja acompanhada sua evolução. Todavia, é preciso salientar que o usuário tem o poder de decisão a todo o momento em relação a sua continuação no Centro.
“Trabalhamos com a concepção que a droga não é só uma questão de saúde, reduzida para uma questão orgânica, não resolvemos apenas numa perspectiva de que o paciente não use drogas e fique em abstinência, daí a gama de profissionais à disposição. Muitas vezes quando estamos escutando essas pessoas em tratamento, percebemos que a fonte do sofrimento pode ter desencadeado o uso abusivo da droga e está relacionado a uma questão social, um eventual desemprego, por exemplo. Então o trabalho vai mais a fundo, fazer o usuário pensar no momento e no que exatamente desencadeou e complicou e como se posicionar diante da própria vida”, afirma Wagner Mendonça, coordenador da Política Municipal de Álcool e Drogas.
Profissionais
Desde novembro de 2011 é desenvolvido um curso mensal de Aperfeiçoamento em Álcool e Outras Drogas. A cada mês uma temática relacionada diretamente a isso é tratada. Uma estratégia contínua da Secretaria Municipal de Saúde é de fato a noção da educação permanente. Desde 2007, os investimentos na área da formação das equipes têm investimento crescente. O curso de Aperfeiçoamento totaliza treze módulos, além da participação de pessoas que são referências nas áreas de cada módulo. Ao término do curso, a equipe do Caps-AD e Caps Infantil recebe um título emitido pelo Centro de Educação Permanente, que pelo Estatuto do Servidor agrega mais valor ao salário. “Essa é mais uma política de reconhecimento da Secretaria Municipal de Saúde, um investimento da Prefeitura Municipal de Aracaju, que visa capacitar os envolvidos no processo em busca de um serviço prestado cada vez melhor.
Funcionamento
O Centro Psicossocial Álcool e Drogas fica aberto todos os dias, exceto às quintas-feiras, quando toda a equipe se reúne. Para fazer parte do tratamento basta comparecer na sede do Centro, na rua Guarapari, s/n, no bairro Atalaia.