Aracaju está entre os municípios brasileiros que fazem parte do projeto do Governo Federal que pretende mapear áreas de risco e prevenir acidentes como deslizamentos e enchentes. O projeto, denominado como "Ação emergencial para delimitação de áreas de alto e muito risco a enchentes e movimentos de massa" foi apresentado na tarde desta segunda-feira, 16, à Defesa Civil Municipal.
Dois técnicos do CPRM - Serviços Geológicos do Brasil - apresentaram nesta tarde a conclusão de uma pesquisa que durou duas semanas e visitou os principais pontos da capital que são riscos, ou podem vir a apresentar riscos futuramente. Durante a explanação dos técnicos Jeferson Melo e Adriana Souza, a equipe da Defesa Civil pode ter a exata noção de como os trabalhos serão direcionados daqui por diante para evitar danos à população da capital.
Um dos pontos levantados pelos técnicos é que o Brasil está atrasado no que tange a delimitação de urgências, por isso o projeto já agrega áreas de alto e muito risco. Aracaju, por sua vez, está entre as cidades que apresenta um nível baixo de risco, devido ao seu solo plano. No entanto, ainda assim, deve-se ter atenção, pois, a capital já apresentou registros passados de deslizes e desabamentos.
"Hoje as áreas de Aracaju não oferecem tanto risco, mas é preciso vigiar os locais para se evitar danos futuros. É justamente este o objetivo do Governo Federal quando, em parceria com governos Estaduais e Municipais, previne situações e age de forma a afastar o perigo", explicou Jeferson Melo.
A capital sergipana está entre os mais de 800 municípios brasileiros que irão receber equipes de técnicos para mapear as regiões de risco. "Os trabalhos têm três pontos base, primeiro mapear, depois monitorar e por último gerenciar recursos direcionados para as áreas prioritárias", ressalto Adriana Souza.
Um levantamento feito por equipes do Governo Federal destacou que se gasta mais na reconstrução de áreas atingidas por catástrofes do que na prevenção destas. O intuito do governo é que, até 2015, R$11,5 bilhões sejam investidos nas ações preventivas desses municípios que estão sendo monitorados, entre eles, Aracaju.
Ações em Aracaju
Durante a apresentação do projeto e das análises feitas em Aracaju, os técnicos destacaram que a capital sergipana apresenta alguns problemas geológicos que exigem atenção por parte da Defesa Civil, como escorregamento, deslizamento, rastejo (quando o deslizamento causa deformações, rachaduras, tricas, devido o movimento a longo prazo do solo, corridas de massa (quando são carregadas grandes quantidades de matérias em amplas áreas) e queda e tombamento de blocos.
Entretanto, os técnicos afirmaram ainda que, mesmo assim, Aracaju não está entre as cidades que proporciona maior risco natural. Para eles, um dos problemas decorre da ação humana. "Percebemos aqui na capital que as pessoas teimam em construir em áreas de risco, isso corresponde a 95% dos problemas percebidos em Aracaju", salientou Jeferson.
Outra questão levantada por Jeferson e Adriana é que, a partir das avaliações feitas, a Defesa Civil Municipal, enquanto participante do projeto, integrará uma rede de alertas de emergência que irá notificar o órgão sempre que algum evento possa vir a ser registrado.
Para o coordenador da Defesa Civil de Aracaju, coronel Reginaldo Moura, a responsabilidade cresce por conta do maior número de dados. "Agora nós podemos trabalhar de maneira mais eficaz com relação aos trabalhos preventivos. Nossa atenção será voltada a evitar ocupação nas áreas de risco para que Aracaju, que apresenta baixo risco, não venha a ser de alto risco", disse o coronel ao ressaltar que o monitoramento será ainda mais ostensivo e os trabalhos de conscientização popular serão ainda maiores.
Após a avaliação e apresentação dos dados feitos pela CPRM, os técnicos frisaram que o projeto deve ser incorporado ao Plano Diretor da cidade.