Após recepcionar o corpo do governador Marcelo Déda no Aeroporto Santa Maria, o prefeito em exercício, José Carlos Machado, juntamente com a secretária de Governo Marlene Calumby, se encaminhou para o Palácio-Museu Olímpio Campos, onde houve uma missa de corpo presente do governador, reservado apenas para a família, e autoridades do poder executivo como a presidente Dilma Rousseff, que veio a Aracaju acompanhada do ex-presidente Luiz Ignácio Lula da Silva para prestar a última homenagem a Déda.
José Carlos Machado seguiu o carro do corpo de bombeiros que desfilou pela avenida Beira Mar até o Palácio-Museu Olímpio Campos onde centenas de pessoas já aguardavam a chegada do caixão. Comovido com a perda de um político idealista e com uma trajetória que lhe era peculiar, o prefeito de Aracaju em exercício destacou que Déda era um homem influente e que suas ações continuarão na memória do povo.
"Convivi com Déda durante quatro anos de 1987 a 1990, na Assembleia. Considero que, da nova geração, Marcelo Déda era um dos dez maiores políticos do Brasil. Temos que nos conformar e acreditar que Deus sabe o que faz, mas que de alguma forma ele continuará contribuindo com o seu legado para a evolução da política de Sergipe e da melhoria da qualidade de vida dos sergipanos, que é um povo que ele tanto amou e tanto lutou", afirmou Machado.
Grande amiga de Marcelo Déda, a presidente Dilma Rousseff destacou a importância do governador de Sergipe para a política brasileira. "Um grande homem que tinha uma forte ética e perseguia a construção de um país melhor. Além disso, Déda era um poeta que viveu no Brasil em todas as dimensões. Perdemos um dos maiores oradores que conhecemos e que foi também um político com ‘P' maiúsculo, se dedicando sempre aos mais pobres. Todos nós levaremos Déda em nossa memória e em nossos corações. Ele nos deu uma mensagem que carregaremos pra vida que é a de atravessá-la com o espírito humanista", discursou a presidenta durante a missa.
O ex-presidente Lula veio a Aracaju se despedir o amigo e compadre, e declarou que Déda poderia viver mais 40 anos. "Eu além de perder um amigo, perco um compadre, uma pessoa com quem construí uma relação de amizade desde 1985 quando ele foi candidato a prefeito ainda muito jovem. O que vale para nós na verdade é guardar dele as boas lembranças", ressaltou o ex-presidente.
Bastante emocionada, a primeira dama Eliane Aquino se mostrou uma mulher forte e que sempre se manteve ao lado do marido durante todos os momentos da doença. Eliane, que se despediu de Marcelo Déda com uma declaração de amor, disse que durante esse último ano de luta contra o câncer, eles sempre tiveram a esperança de voltar à Sergipe com Déda curado.
"Muitas vezes questionei a Deus, perguntando por que com tanta gente ruim na face da terra, o Senhor quer tirar Marcelo Déda? Ele que é um homem brilhante como pai, como marido e que vivia muito intensamente tudo. Ele era um meteoro e nada na vida dele foi mediano, tudo era muito intenso, até seu sofrimento com a doença", declarou Eliane dizendo que nos últimos dias o governador estava muito calado, mas quando questionado sobre o que pensava ele respondeu estar pensando em seu velório. "Ele me disse: quero que meu povo me veja".