Amigos, familiares, colegas da vida pública e admiradores deram o último adeus ao ex-deputado federal e ex-conselheiro do TCE (Tribunal de Contas de Estado) Tertuliano Azevedo, que aos 83 anos de idade faleceu na madrugada deste sábado, 07, na UTI do Hospital Primavera, vítima de uma insuficiência renal. O seu corpo foi velado e sepultado na Veláries Colina, no conjunto Santa Lúcia. Autoridades prestaram a última homenagem ao amigo "Tertu", como foi o caso do Prefeito João Alves Filho e do seu Vice José Carlos Machado.
Como ilustre sergipano,Tertuliano deixa um legado que vai ser lembrado por todos que o conheceram e puderam conviver com ele na sua vida pública, onde participou da redemocratização do Brasil, chegando a ser exilado na época da ditadura além de ter participado ativamente da elaboração da Constituição de 88.
Bastante sentido com a morte do amigo, o Prefeito João Alves faz questão de lembrar da história política." Foi uma perda muito grande para o estado de Sergipe, especialmente para a classe política. O nosso Tertuliano foi um exemplo de um político, realmente, valoroso, corajoso. Eu convivi de perto com ele, que foi meu secretário de Justiça e exerceu seu cargo com excelência. Na política partidária foi um excelente colega, onde juntos criamos um partido que nasceu sob a liderança de dois estadistas extraordinários, que foram José Rollemberg e Tancredo Neves. Era um partido de oposição que procurava uma alternativa entre os partidos ARENA e o MDB e ao meu lado ele lidou todas estas tratativas e o partido cresceu de forma extraordinária. Além disso, o Tertuliano se transformaria, também, em um excelente conselheiro de contas do TCE e foi um homem sempre ligado a todos os problemas importantes do nosso estado. Ele foi um exemplo de homem público", declara.
Eu tive o privilégio de ser seu colega na primeira administração de João Alves, como governador de Sergipe, onde eu era secretário de recursos hídricos e ele secretário de Justiça. Foi deputado, conselheiro do TCE e o fato é que ele sempre honrou os cargos públicos que exerceu. Era um político ideologicamente claro, era tido como esquerda e lutou pela redemocratização do país e hoje perdemos o nosso colega, conhecido como Tertu. Ele deixa o seu legado, onde sua filha o substituiu há muito tempo como vereadora, deputada e hoje conselheiro do TCE. O fato que Sergipe se despede de um político que sempre fez o seu papel com muita dignidade, afirma José Carlos Machado.
A emoção foi marca presente no sepultamento de Tertuliano e o seu neto mais velho, Itamar Amaral, deixou claro que com a morte do seu avô, se abre uma lacuna. O vazio é o sentimento que vai ficar na família, na política e na vida social, onde a história dele que retrata o testemunho do que ele foi. “Hoje é um dia muito triste para todos, para Sergipe, para a família e para todos aqueles que precisavam, porque ele deixou um legado de caridade e de justiça como princípios de vida", lamenta a perda o Neto que falou em nome da família.
Comovidos com a perda, colegas, como é o caso do presidente do TCE, Carlos Pinna, lembram o quanto o ex-conselheiro foi importante. "É uma figura a quem eu me ligava muito por uma característica muito curiosa, onde o Tertuliano era da família mas ilustre família de políticos de Sergipe, Bisneto de Brício Cardoso, Sobrinho neto de Graccho Cardoso, enveredou pela vida política como, quase, um destino da sua família, o que prosseguiu com a sua filha Susana Azevedo. Uma perda grande para o nosso estado, onde foi meu colega por longos anos e hoje sou colega da sua filha. Essa é uma família a quem devemos os pêsames hoje, porque tem feito muito por Sergipe que perde um grande nome da vida pública", reforça.
História
Filho de Anísio Azevedo e Jocabed Cardoso Azevedo. Foi inspetor do trabalho antes de graduar-se em Direito em 1957 pela Universidade Federal de Sergipe. Depois de formado foi assistente jurídico e delegado do Trabalho em Sergipe (1961-1964), funções que exerceu cumulativamente com a de juiz do Tribunal Regional Eleitoral. Transferido à cidade do Rio de Janeiro trabalhou no Serviço de Fiscalização do Trabalho da Guanabara (1966-1968) e depois no Instituto Nacional de Previdência Social. De volta ao seu estado natal foi instrutor do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (1975-1976).
Em 1978 foi eleito deputado federal pelo MDB e com o fim do bipartidarismo no Governo João Figueiredo ingressou no PP discordando, porém, da incorporação deste partido ao PMDB, ao final de 1981 permaneceu sem legenda e não disputou a reeleição. Com a posse de João Alves Filho no governo de Sergipe em 1983 ocupou cinco secretarias de estado até ser nomeado conselheiro do Tribunal de Contas em 1986, corte da qual foi presidente (1991-1992), tendo se aposentado no ano 2000.