Eduardo Matos palestra sobre o Rio São Francisco em Neópolis

Meio Ambiente
14/04/2015 08h17
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A escassez de água do Rio São Francisco permeia a população ribeirinha. Por causa disso, o secretário do Meio Ambiente (SEMA), Eduardo Matos, palestrou na manhã de hoje, 13, no auditório do Fórum Desembargador Antônio Goes em Neópolis. Com o tema "Como Salvar o Rio São Francisco da Morte Certa", o secretário apresentou os problemas vividos pelo Velho Chico e o que a capital de Sergipe está fazendo para reverter essa situação.

Durante a palestra, Eduardo Matos, que é atualmente um dos maiores especialistas ambientais, colocou para estudantes e autoridades as mudanças que ocorreram no Velho Chico no decorrer dos anos. De acordo com o secretário "o grande problema é que a sociedade despreza objetos que não querem mais no rio. A humanidade pouco está ligando para o meio ambiente e por isso estamos pagando um preço muito caro. É preciso repensar que cidade queremos para o nosso futuro".

Com uma extensão de mais de três mil quilômetros de extensão, 500 municípios dependem do Velho Chico, sendo que em Aracaju mais de 300 mil habitantes consomem sua água. Porém, mesmo com os sete grandes afluentes que possui, o Rio São Francisco sofre também pela interferência do homem que implantou nove hidrelétricas retendo suas águas e dificultando a passagem de peixes e de materiais que são responsáveis pela vida no rio.

Para Eduardo Matos, é necessária também uma fiscalização maior junto aos comitês das bacias. "Os comitês receberam aproximadamente R$ 70 milhões e não investiram o que deveria para recuperar o rio", revelou.

"Discutimos em Neópolis a revitalização do Rio São Francisco e a importância do meio ambiente. Foi apresentada a grave situação do rio, mas, principalmente, como os municípios devem fazer para cuidar do meio ambiente. O primeiro passo é ter seu órgão ambiental e, a partir daí, se estruturar para cuidar e zelar pela revitalização do rio São Francisco, para que toda a população saiba a grande importância de cuidar do rio, já que dependem essencialmente  dele", concluiu.

Seguindo as diretrizes da Campanha da Fraternidade 2015 que tem como Tema ‘Igreja e Sociedade', o padre Alailson Santos foi o responsável por perceber a importância de mostrar à população de Neópolis os problemas que podem surgir com a escassez da água e a morte do rio, principalmente por se tratar de uma cidade que vive as margens do São Francisco.

Segundo o padre, a morte do rio conhecido como da integração nacional, é um dos grandes problemas da sociedade. "Temos dois homens gabaritados tecnicamente no estado e que podem falar com propriedade do rio que são o prefeito João Alves e o sec. Eduardo Matos. Por isso, convidamos a comunidade para participar dessa palestra e discutirmos esse assunto de forma profunda, para que haja uma conscientização da nossa sociedade".

O Velho Chico

São inúmeros os problemas que estão causando a morte do rio São Francisco, dentre eles o assoreamento causado pela erosão das margens, consequência do desmatamento das matas ciliares que protegem o leito do rio, a poluição desenfreada e o uso irracional da água. Há pouco mais de 10 anos esse quadro já era previsto e massivamente divulgado pelo prefeito João Alves Filho.

Um dos livros escrito pelo gestor municipal ‘Transposição das Águas do Rio São Francisco, Agressão a Natureza X Solução Ecológica' em parceria do secretário Eduardo Matos, já mostrava a realidade do Rio São Francisco e o criminoso projeto de transposição que está querendo ser imposto pelo Governo Federal. O que se vê da obra faraônica do Governo é na verdade um grande ‘elefante branco' no meio do sertão e bilhões de dinheiro público aplicados numa construção sem serventia onde metade dela está completamente inutilizada.