Na tarde desta segunda-feira, 16, o secretário Municipal da Saúde, Luciano Paz, reuniu gestores para discutir sobre os casos de microcefalia registrados em Aracaju, com o objetivo de conhecer um pouco do panorama do que está acontecendo em relação ao aumento da doença, uma vez que o Ministério da Saúde (MS) deflagrou emergência de saúde pública em virtude desse aumento de casos. O secretário solicitou mais informações acerca da doença, as causas e o que precisa ser feito na rede de saúde da capital para dar assistências às mães, às gestantes e aos bebês nascidos com a anomalia. “Precisamos fazer uma investigação detalhada acerca dos casos e definir estratégias de atuação junto à população”, destacou.
Durante a reunião, a diretora de Vigilância em Saúde, Tereza Cristina Maynard, e a coordenadora da Vigilância Epidemiológica, Raulinna Gomes, detalharam as informações já passadas pelo Ministério da Saúde e a recomendação dos protocolos as serem adotados sobre a situação. “Até outubro, conforme o Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos, o Sinasc, foram registrados oito bebês que nasceram com microcefalia nas maternidades de Aracaju. A principal característica da doença é a circunferência do cérebro da criança ser inferior a 33 centímetros, o que pode causar diversos distúrbios neurológicos”, explicou Raulinna.
Segundo ela, a reunião serviu para que os gestores pudessem pensar, conhecer o perfil do aumento dos casos da doença, que está em estudo se tem alguma relação com a Zika e Chikungunya, e definir estratégias a serem adotadas. “Vamos, inclusive, investigar para esclarecer os casos que temos em Aracaju e trabalhar a prevenção e combate aos criadouros do vetor, o Aedes, junto à população, com a participação direta dos agentes comunitários de Saúde nessa frente, para intensificar ações de redução dos criadouros do mosquito”.
De acordo com Tereza Cristina, o debate entre os técnicos é importante para discutir sobre os casos notificados de microcefalia em Aracaju. “Estamos traçando o planejamento e as ações para investigar esses casos e a definição do agente causador do aumento das ocorrências. Já tivemos reuniões com a Vigilância Epidemiológica do Estado e nesta terça teremos reunião com as maternidades, em conjunto com a Secretaria de Saúde do Estado”, disse, enfatizando que deve ser mantido o foco nas medidas de prevenção e controle do mosquito transmissor da Dengue, Chikungunya e Zika, uma vez que há suspeita de que o aumento de casos de microcefalia esteja relacionado à Zika ou à Chikungunya.
O secretário ouviu os presentes e solicitou à equipe que seja visto o que é necessário para assistir aos bebês de Aracaju que nasceram com a anomalia e que sejam traçadas estratégias de prevenção. Participaram da reunião o consultor Adalberto Canuto, a diretora da Atenção em Saúde (DAS), Gildete Maria Ávila Carvalho; os coordenadores da Rede de Atenção Primária (Reap), Murillo Oliveira, e da Rede de Urgência e Emergência (Reue), Roberta Lisboa; e o assessor de Planejamento e Desenvolvimento Institucional (Asplandi), Daniel Oliveira.
Emergência em Saúde
Na quarta-feira da semana passada, o Ministério da Saúde declarou Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional para dar maior agilidade às investigações sobre o aumento de casos de microcefalia, registrado, principalmente, no Nordeste. Trata-se de um mecanismo previsto em lei para casos de emergências em saúde pública que demandem o emprego urgente de medidas de prevenção, controle e contenção de riscos, danos e agravos à saúde pública.
O boletim epidemiológico sobre os casos de microcefalia no país será divulgado pelo Ministério da Saúde nesta terça-feira, 17, com coletiva de imprensa.
Microcefalia
A microcefalia não é um agravo novo. Trata-se de uma má formação congênita, em que o cérebro não se desenvolve de maneira adequada. Na atual situação, a investigação da causa é que tem preocupado as autoridades de saúde. Neste caso, os bebês nascem com perímetro cefálico (PC) menor que o normal, que habitualmente é superior a 33 cm. Esse defeito congênito pode ser efeito de uma série de fatores de diferentes origens, como as substâncias químicas, agentes biológicos (infecciosos), como bactérias, vírus e radiação.
O Ministério da Saúde, em completa parceria com as secretarias estaduais e municipais de saúde, continuará recebendo as ocorrências, dando apoio técnico e mantendo ativo o COES (Centro de Operações de Emergência em Saúde Pública), para o estudo, a investigação e a definição do agente causador do aumento da ocorrência de microcefalia.