Acontece até esta quinta-feira, 17, o I Encontro dos Usuários de Saúde Mental de Sergipe, promovido pela Associação de Usuários de Saúde Mental do Estado de Sergipe (AUSMES), em parceria com a Secretaria Municipal da Saúde de Aracaju e o Ministério da Saúde. O evento reúne, além dos atendidos, familiares e trabalhadores da Rede de Atenção Psicossocial (Reaps). O encontro, que começou na última quarta-feira, 16, em um hotel no bairro Coroa do Meio, tem como proposta discutir as ações para o fortalecimento de um modelo de atenção promotor de autonomia e cidadania para as pessoas com transtornos mentais e/ou com necessidades decorrentes do uso prejudicial de substâncias psicoativas.
O destaque desse encontro foi uma caminhada, realizada na manhã de hoje. Segundo a coordenadora da Reaps, Karina Cunha, o evento mostra que a rede está caminhando frente aos objetivos. “Um dos nossos papéis é fortalecer o protagonismo do usuário, então ter uma associação que é fortalecida nos Centros de Atenção Psicossocial (Caps), através de assembleias e de uma organização deles, mostra que estamos no caminho certo, ainda mais por que eles são os protagonistas, eles que estão conduzindo todo este processo”, ressaltou.
Ainda segundo Karina, este é um momento ímpar, revelando o fortalecimento da rede. “Hoje tivemos a oportunidade de ir às ruas e mostrar que esta é uma rede forte, de mostrar à sociedade que o cuidado com usuários de saúde mental acontece e que ele pode ser feito desta forma, com liberdade e atenção”, pontuou Karina.
Para o apoiador da Reaps, Luiz Cláudio Soares, este é um momento de pontuar os objetivos que foram alcançados e avaliar o que é preciso avançar no cuidado e atenção aos usuários de saúde mental. “O município de Aracaju é referência nesse cuidado, com uma rede muito bem estruturada, mas ainda assim precisamos trabalhar pelo fim do preconceito com as pessoas que sofrem transtornos mentais. Apesar de não termos mais em nosso estado nenhum manicômio, existem muitas pessoas com pensamentos manicomiais, e que defendem a ideia de que a pessoa com transtorno deve viver presa”, destacou.
A professora Maria de Fátima Nascimento esteve no evento acompanhando as duas irmãs que possuem transtornos mentais e contou que o novo modelo de tratamento oferecido pelo Caps proporcionou muito mais união para toda a família. “Entrar no manicômio e ver minhas irmãs enjauladas, era de cortar o coração, e quando elas chegavam em casa eram extremamente violentas. Depois que começaram o tratamento nesse novo modelo, a vida delas mudou e a minha também, hoje eu tenho elas morando comigo, em uma convivência que em nada se compara a que tínhamos antes”, afirmou.
O usuário e membro da AUSMES, Everton Tavares, já foi interno em vários manicômios e reconhece que o novo modelo de cuidado o ajudou a melhorar as condições de saúde mental. “Hoje eu tenho autonomia para sair de casa, conviver com minha família, e ainda atuar como militante nas causas que me diz respeito. Algo impossível de ser cogitado no antigo modelo que nos era aplicado”, falou.