Representatividade: a palavra é grande, mas o entendimento é bem simples. Significa ver em alguém relevante para você alguma característica sua. Se para os adultos esse processo é importante, imagine para as crianças, que estão em constante formação de identidade e precisam de referências. Foi para levar representatividade e discutir sobre o racismo na infância que a Diretoria de Direitos Humanos da Secretaria Municipal da Assistência Social e Cidadania (Semasc), em parceria com a Secretaria Municipal da Educação (Semed), abriu mais um Ciclo de Diálogos sobre Discriminação Racial. A primeira atividade aconteceu na manhã desta quarta, 10, na biblioteca da Escola Municipal José Conrado de Araújo, localizada no bairro São Conrado.
"Como você se vê?", "Você se acha bonito?", "Já ouviu falar sobre racismo?", essas são provocações que a gerente de Igualdade Racial da Semasc, Laila Oliveira, faz durante a abordagem com as crianças nas escolas. Ela diz que a discussão é muito importante para a identificação de problemas como o bullying, baixa autoestima e cenários de discriminação racial. "A partir desses momentos a gente pode perceber como as crianças interagem e as respostas delas ao que falamos denunciam se no ambiente familiar são discutidas questões mais subjetivas como a discriminação racial e o preconceito".
No modelo atual do projeto Lápis de Cor, a Semasc leva alguns representantes para discutir sobre racismo na infância nas escolas, mas a Diretoria de Direitos Humanos alerta que é muito importante que cada unidade de ensino tenha debates constantes sobre o tema e se coloca à disposição para empoderar os educadores.
Segundo o professor Edson Fábio a realização do projeto Lápis de Cor é de grande importância, pois estimula os alunos a refletirem como encaram o preconceito racial, especialmente porque, de acordo com o educador, muitos de seus alunos têm dificuldade para se autoidentificar enquanto pessoas negras. "Muitos não conseguem se enxergar enquanto negros e essa é uma questão a ser trabalhada. Além disso, há outro ponto preocupante que é quando o preconceito racial soma-se ao preconceito socioeconômico. Acredito que precisamos dialogar diariamente na rede pública de ensino sobre questões tão relevantes".
Iane Karoline tem 10 anos e sabe muito bem o que é representatividade. "Eu sou negra. Meus pais também são negros e sempre conversam sobre isso comigo. Eles falam que somos todos iguais e que temos os mesmos direitos. Vocês virem aqui hoje foi muito bom pra que as pessoas entendam que ser assim da nossa cor é tão legal como qualquer outra. Em outro colégio eu sofri racismo, as pessoas não queriam ser minhas amigas porque diziam que eu era feia. Nesse aqui não, eu converso com todo mundo e sei que ser negro é muito bom".
Programação:
As atividades do projeto prosseguem até a próxima sexta, 12. Confira:
* Escola Municipal de Ensino Fundamental Tenisson Ribeiro
Data: 10/05 - Horário: 14h30
Bairro: Mosqueiro
* Escola Municipal de Ensino Fundamental Papa João Paulo II
Data: 11/05 - Horário: 9h30
Bairro: Santa Maria
* Escola Municipal de Ensino Fundamental Freitas Brandão
Data: 11/05 - Horário: 14h30
Bairro: Getúlio Vargas
* Escola Municipal de Ensino Fundamental Sabino Ribeiro
Data: 12/05 - Horário: 9h30
Bairro: 18 do Forte