Arte e cultura são instrumentos de educação na rede municipal

Educação
11/05/2018 10h58
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Trabalhar para tornar Aracaju uma cidade inteligente, humana e criativa é um dos principais objetivos da atual gestão da Prefeitura Municipal. E a Secretaria Municipal da Educação (Semed), entre todos os investimentos realizados, também busca estimular a comunidade escolar a refletir sobre a realidade nas quais estão inseridas. E para fortalecer os debates, a Coordenadoria de Arte e Educação (Coart) tem sido um instrumento fundamental ao desenvolver projetos que tratam de temas como racismo e abuso infantil.

Percorrendo todas as escolas da rede municipal de ensino, a Coart busca promover atividades lúdicas e de interação com estudantes, professores e pais dos alunos. Tudo através da arte. “O que caracteriza a atual equipe, e faz a diferença, é que todos nós viemos de coletivos da sociedade civil e somos artistas. Temos uma prática de políticas sociais fora do poder público. Mesmo estando aqui, temos uma participação efetiva na sociedade civil via arte e cultura. E é essa sensibilidade que trazemos para a Coart”, afirma o coordenador do setor, professor Rivaldino dos Santos.

Teatro

Entre todos os projetos desenvolvidos pela coordenadoria, as peças teatrais têm um destaque especial. Contando com uma equipe composta por servidores e estagiários, os espetáculos abrangem assuntos ligados ao dia a dia dos alunos. Uma dessas peças é a 'Viver a vida é agora', que fala sobre maus tratos praticados contra idosos. Pensado em conjunto com o Conselho Municipal do Idoso e a Secretaria de Assistência Social, o espetáculo busca provocar a sensibilização para perceber essa camada da população como cidadãos produtivos.

Outra iniciativa, a peça 'Ai, meu coração' trata da temática de pessoas especiais e do convívio com as diferenças. “É o encontro entre o preto e branco, o encontro das diferenças, o convívio harmonioso. O foco é a pessoa com necessidade especial, mas, por trás disso, está essa convivência do liso com o encaracolado, do autista com o artista”, define Rivaldino.

Um novo espetáculo está a caminho. Com data prevista de estreia para o próximo dia 18 de maio, em um ato público no Centro da cidade, a Coordenadoria está desenvolvendo a peça 'Isso pode ser abuso”, que fala sobre abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes. “Mostraremos relatos de casos verídicos. Claro que damos um trato teatral, mas são relatos reais, baseados em dados IBGE. Não queremos mascarar a realidade nem entrar num processo de culpabilização, queremos mostrar que existe e que precisa fazer algo para reverter essa realidade”, completa.

Demais projetos

O trabalho da Coart com toda a comunidade escolar é constante e os pais dos alunos também entram no público-alvo das campanhas, como a 'Escola de Pais', que visa sensibilizar os pais acerca da higienização dos filhos na promoção do bem-estar e saúde. O projeto 'Pelo Mundo da Arte' tem como objetivo ampliar o contato dos alunos da rede municipal com artes plásticas produzidas em várias épocas, e a 'Caravana da Arte' estimula o sentimento de pertencimento das crianças e adolescentes à comunidade que fazem parte.

A questão racial também é um ponto forte das campanhas da Coordenadoria. O 'Workshop Cênico' propõe discussões sobre as problemáticas geradas pelo preconceito étnico-racial; e o 'Falas de Preto', que trabalha a divulgação de escritoras e escritores negros. O público da Educação de Jovens e Adultos (EJA) também é contemplado com ações da Coart. O 'Diálogos Ejeanos' busca mobilizar os estudantes da EJA a reconhecerem o impacto positivo, em suas vidas, com a conclusão do ensino fundamental.
 
“Estamos fazendo uma experiência bem interessante nas escolas municipais de Ensino Fundamental  Santa Rita de Cássia, no bairro Novo Paraíso, e Florentino Menezes, na Zona de Expansão. Inicialmente trabalhando com os professores, fazendo uma sensibilização. A nossa proposta é que a arte caia no cotidiano da escola e que, a cada mês, seja trabalhado um tema diferente, de acordo com a realidade dessas localidades. Queremos promover um encontro dos saberes, do acadêmico com o saber popular, trazido pelos alunos, que muitas vezes é tratado como inferior”, destaca Rivaldino.

Música

Uma das manifestações artísticas mais fortes nas periferias das grandes cidades é o hip-hop. E a Coart também usa a linguagem deste estilo musical como forma de educação. Luís César Brito é estudante de Serviço Social e estagiário da Coart há oito meses e já desenvolve atividades socioeducativas com o hip hop há 15 anos. “É um desafio, mas precisamos trazer as pessoas da comunidade para dentro da escola para que a escola também tenha um olhar diferenciado sobre as pessoas que vivem naquele bairro. O hip hop é uma ferramenta de transformação, que já tem um olhar de inclusão, é um grito para as comunidades que há muito tempo estavam caladas”, explica Luís. O trabalho com hip hop resultará no projeto 'Quebrada Educadora: o hip hop como ferramenta educativa' que será lançado em breve.

De acordo com Rivaldino, a arte na escola é fundamental para a construção de um projeto de nova sociedade. “Mais humana, mais igualitária e justa, com mais equidade de gênero, onde a mulher negra ano seja o último patamar da pirâmide social, os homossexuais não sejam mortos ou considerados seres inferiores. Precisamos combater o bullying que existe contra gordo, contra preto, contra alto, contra baixo. Não é só explanar um conceito, é preciso mostrar como fazer isso”, finaliza Rivaldino. Qualquer escola ou instituição que desejar levar as ações da Coart para seus alunos ou colaboradores, deve entrar em contato com o setor através do número (79) 3179-1572.