Resíduo de coco pode ser descartado para beneficiamento

Serviços Urbanos
04/02/2019 18h11
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Comerciantes de coco considerados grandes geradores porque produzem acima dos 200 quilos diários de resíduos, volume permitido pelo Código de Limpeza Urbana (Lei n° 1.171/1999), estão se comprometendo com a Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb) para a destinação correta do seu material. Uma das formas que vem despertando o interesse de muitos deles está relacionada ao aproveitamento da casca de coco, que, após passar pelo processo de trituração, poderá se transformar em pó - usado para a formulação de substratos agrícolas ou composto orgânico, ou fibra - usada como matéria-prima para o artesanato, estofamento de veículos, dentre outros.

Assim aconteceu com Rafael Roque de Lima, dono de ponto de venda na Rodovia dos Náufragos, na Zona de Expansão de Aracaju. Como o seu descarte excedia o volume ou peso fixados para a coleta regular, realizada pela Emsurb, ele precisou conhecer as alternativas para destinar corretamente os resíduos. Uma delas seria o aterro sanitário, em Rosário do Catete. No entanto, algo novo despertou sua atenção. O seu próprio fornecedor, da Fazenda Tiririca, no povoado Porteiras, em Japaratuba, município localizado a 56,8 km da capital, informou que disponibilizava a condição de receber os resíduos. É que, na sede da fazenda, há equipamento adequado para a trituração das cascas objetivando a produção de adubo orgânico. A partir daí, as quase quatro mil unidades de coco adquiridas semanalmente por Rafael, após consumo, retornam ao local de origem. “Nós conversamos e definimos detalhes da condução. Além de descartar regularmente, me sinto feliz por poder contribuir com o meio ambiente”, considerou o comerciante.
 
O senhor Deseval dos Santos, gerente da fazenda, diz que, além do ganho com a comercialização do produto, existe lucro com o beneficiamento da casca. “Aqui, investimos na própria plantação de coqueiros. O que produzimos de adubo colocamos na terra”. Ele informou ainda que o trabalho com os resíduos do fruto vem sendo realizado há cerca de dois anos, e tudo começou com a orientação da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). “Atualmente recebemos para beneficiamento entre 30 e 40 mil unidades por semana, mas temos capacidade para 80 mil”, completou.

Publicações da Embrapa atestam que, além dos impactos positivos para o meio ambiente, o processo de beneficiamento pode gerar emprego e renda. Para o presidente da Emsurb, Luiz Roberto Dantas, os considerados grandes geradores podem ter alternativas para descartar os resíduos produzidos, inclusive, se for o caso, serem remunerados pela produção. "O que não pode é a Emsurb recolher material que excede o limite diário a ser produzido. Estamos dialogando com esses geradores e junto encontrando soluções, com o objetivo de reduzir custos e impactos ao meio ambiente". 

Grandes Geradores

Em levantamento realizado nos últimos meses de 2018, a Emsurb, através da Diretoria de Operações (Dirop), identificou 87 pontos de comercialização com uma produção de 180 toneladas/semana de casca de coco. Entre esses, foram identificados grandes geradores que já receberam as respectivas notificações e visitas, objetivando o esclarecimento e cumprimento da Lei Municipal nº 1.721, de 18 de julho de 1981.