É na parede da primeira escola do 17 de Março que estão as palavras que podem definir a transformação do bairro e a do seu vizinho, o Santa Maria, localidades que têm sido uma das prioridades da atual gestão da Prefeitura de Aracaju. “Há escolas que são gaiolas e há escolas que são asas”. Foi com a edificação da Escola Municipal de Educação Infantil (Emei) José Calumby Filho, projetada ainda na administração passada do prefeito Edvaldo Nogueira, que os moradores viram o sonho de um local mais digno criar asas e avançar, mas, agora, não apenas no imaginário e, sim, em formas concretas.
Desde que a Emei ganhou forma e passou a assistir cerca de 250 alunos, com idades entre 1 e 5 anos, a comunidade local não é mais a mesma. Muitos dos alunos que, antes, precisavam percorrer até grandes distâncias, quando não conseguiam vaga em unidades próximas, agora, têm a comodidade de estudar bem perto de casa, o que leva tranquilidade também aos pais, que ainda podem participar mais assiduamente da vida escolar dos filhos.
A dona de casa Elizabete Santos Barbosa viu sua rotina e a de seus filhos mudarem junto com a maneira como passou a enxergar o bairro em que mora. “Agora, eu tenho tudo para mim e para meus filhos. Com a escola perto de casa, eu posso ir levar e buscar sem ter a preocupação de saber como será o caminho, até porque, hoje, eu posso estar com eles. Antes, eu não tinha paz em deixar meus filhos na rua, agora, eles têm atividades sempre e não preciso mais me preocupar de tomarem algum rumo ruim”, contou.
Há sete anos morando no 17 de Março, Suzy Suellen dos Santos viu o bairro crescer e desejava que sua filha pudesse se desenvolver em um lugar mais estruturado com, sobretudo, acesso facilitado à educação. “Quando cheguei, não tinha quase nada aqui. Então, quando eu comparo o ontem com o hoje, melhorou muito, ainda mais quando eu penso que minha filha pode ir para uma escola bem perto de casa. Antes de ter as escolas aqui, minha filha ficou um ano sem estudar porque não achei vaga em outros lugares. Mas, depois, ela passou pela José Calumby e, hoje, está na José de Souza tendo tudo o que precisa, não tem como não reconhecer isso. Ter uma creche e uma escola no bairro favorece a comunidade como um todo, já que os pais têm a tranquilidade de deixar seus filhos aos cuidados de quem pode ajudar e muito na educação”, destacou.
Com a construção da segunda unidade de ensino do bairro, a Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) José Souza de Jesus, as comunidades do 17 de Março e Santa Maria viram ampliar ainda mais as oportunidades de garantir um futuro melhor para aproximadamente 445 meninas e meninos que, hoje, podem contar com uma escola pensada para acolher seus sonhos de futuro e ajudar a transformá-los em realidade, já que, sem outro meio de assistência, essa população conta com o poder público para ver germinar uma realidade menos sofrida.
Além de possuírem uma estrutura completamente pensada para as necessidades dos alunos, as unidades de ensino ainda aplicam um método de ensino inovador, a Pedagogia Waldorf, que trabalha a aprendizagem através do brincar, despertando e fomentando nas crianças a capacidade de raciocínio, equilíbrio emocional, iniciativa de ação e respeito ao meio ambiente e ao próximo.
A diarista Valdirene de Jesus imagina os filhos fazendo faculdade, mas, esse sonho só começou a se tornar possível quando ela viu os meninos tendo o primeiro dia de aula na Emef. “Quero que eles cresçam na vida, tomem um rumo melhor. A comunidade precisava dessas escolas porque a gente se sentia esquecido. Quando olham para as nossas crianças, é o mesmo que olhar para todo mundo do bairro. A gente se sente mais valorizado, com mais vontade de morar aqui”, frisou.
Mas, não é somente os pais e alunos que sentem a transformação. Os professores que foram designados para trabalhar nas escolas da região também entendem o significado das obras para ressignificar os valores. “Temos atuado no bairro utilizando uma pedagogia que tem um olhar diferenciado para as crianças e para como elas podem se desenvolver. Além disso, nosso trabalho tem sido muito entorno de trazer a comunidade para perto da escola, inserido nas atividades. O que esse bairro precisa é de amor e de carinho e, por meio da educação, especificamente da que estamos aplicando, a população começa a sentir isso. A probabilidade é que transfiramos para o conjunto aquilo que recebemos, por isso, a base dessa comunidade, que são as crianças, precisam receber toda a atenção para que possam fomentar e transmitir atitudes boas. Só assim poderemos transformar esse bairro de realidade tão delicada e já estamos fazendo por meio da educação”, ressaltou a professora da Emef José Souza de Jesus, Rosilene Sandes.
Logo em breve, a região contará com mais uma unidade de ensino de educação infantil e a primeira em tempo integral que será erguida no bairro Santa Maria. Ela irá se juntar às sete escolas já existentes nos dois bairros e terá capacidade para atender 376 crianças, em dois turnos (matutino e vespertino). A unidade será construída com verbas do Programa Nacional de Reestruturação e Aquisição de Equipamentos para a Rede Escolar Pública de Educação Infantil (Proinfância), do Governo Federal, na avenida Alexandre Alcino, com uma área de mais de mil metros quadrados.
Com a construção da escola, a gestão municipal conseguirá cumprir o planejamento de oferta de vagas em creches e pré-escolas nos próximos anos. No final do ano passado, a Prefeitura de Aracaju, através da Secretaria Municipal da Educação (Semed), realizou uma busca ativa para identificar a demanda de crianças de 0 a 5 anos e 11 meses, residentes nos dois bairros, e que não estão matriculadas em nenhuma instituição de ensino, pública ou privada. Este levantamento foi fundamental para conhecer a realidade local e trabalhar medidas para sanar a carência de vagas e universalizar o ensino na capital, sobretudo, nos bairros que mais dependem da educação como meio transformador.