Medo e ansiedade motivam procura pelo Serviço de Apoio Psicológico Remoto

Agência Aracaju de Notícias
13/07/2020 08h30
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Ofertado pela Prefeitura de Aracaju desde o dia 6 abril, o Serviço de Apoio Psicológico Remoto tem servido como canal de atendimento para auxiliar à população aracajuana a lidar com os fatores estressantes associados à pandemia de covid-19, como ansiedade e medo, sensações inatas ao ser humano, mas que têm sido relatadas frequentemente pelas pessoas que tem buscado o atendimento, disponibilizado pela Secretaria Municipal da Saúde através do 0800 729 3534 (opção 2).
 
Desde sua implantação, o serviço contabiliza já cerca de 2 mil atendimentos. Quanto ao motivo de buscar o serviço, 12% das ligações registram ansiedade relacionada à pandemia, e 8,7% concernente a medo. O atendimento é de segunda a sexta, e aos sábados pelo 3304 3599, sempre das 8h às 20h. Ao ligar, o cidadão tem sua chamada repassada para um dos vinte psicólogos que compõem a Rede de Atenção Psicossocial (Reap), dentre profissionais da SMS e residentes da UFS.
 
De acordo com a coordenadora do Serviço de Apoio Psicológico Remoto, Chenya Coutinho, a pandemia da covid-19 possui características singulares, no sentido de sua extensão, velocidade de crescimento, impacto geral na população e nos serviços de saúde, bem como acesso a um volume muito grande de informações. Nesse sentido, afirma a coordenadora, as consequências da pandemia são também diversas.

"O sentimento de desproteção gerado pela pandemia faz com que precisemos encarar angústias primordiais, que podem promover diferentes formas de sofrimento e até sintomas psicopatológicos. Todos reagem de maneira diferente a situações estressantes e como você responde à pandemia pode depender de sua formação, da sua história de vida, das suas características particulares e da comunidade em que você vive", destaca Chenya Coutinho.

A coordenadora diz ainda que diversos estudos confirmam a tendência apresentada pelo registro do Serviço de Apoio Psicológico. "Autores apontam que, durante o período de distanciamento social, quarentena ou isolamento, a redução de estímulos, possibilidade de perda de renda e alterações significativas na rotina, trazem como algumas das principais consequências emocionais o medo, ansiedade ou outras reações de estresse ligadas a notícias falsas, alarmistas ou sensacionalistas, e mesmo ao grande volume de informações circulando. Medo de adoecimento e morte, a perda de pessoas queridas ou ser separado de cuidadores, ser estigmatizado e excluído socialmente, transmitir o vírus a outras pessoas, perder os meios de subsistência e não receber auxílios financeiros, de não serem garantidas as necessidades básicas, dentre outros".

Dicas 
Chenya Coutinho sugere algumas dicas que podem ajudar às pessoas a cuidar do físico e do emocional neste período. "Evite excesso de informações - consumir muitas notícias de diferentes fontes o tempo todo pode disparar sua ansiedade e te levar a um estado mental de constante alerta. Tente se informar apenas de uma a duas vezes. De preferência, não faça isso após acordar ou antes de dormir. Filtre conteúdos e imponha limites quanto a sua exposição a informações que alterem seu estado de humor". 

Realizar atividades que produzam tranquilidade também é recomendado. "O medo, pânico e estresse não ajudam individualmente nem coletivamente. Realize atividades que te tranquilize, escute uma boa música, faça um curso online, leia aquele livro esquecido ou assista aquela série que te recomendaram, faça coisas que gosta", orienta a coordenadora, ao frisar que também é fundamental estabelecer uma rotina.

"Pessoas que podem fazer escolhas e decidir sobre sua rotina diária, que têm acesso a atividades estruturadas e uma rotina estão mais propensas a lidar melhor com diminuição de autonomia. Por isso, crie uma rotina de trabalho e autocuidado. Procure realizar atividades prazerosas e significativas, isso ajudará o dia a acontecer de um jeito mais organizado e tranquilo", complementa.

Hábitos prejudiciais
Chenya Coutinho também orienta a população a evitar hábitos prejudiciais à saúde, a exemplo do uso abusivo de tabaco, bebidas alcoólicas e outras drogas como forma de fugir da angústia. "Se estiver em sofrimento intenso, busque ajuda profissional, como psicólogos, serviço de apoio psicológico, Unidade Básica de Saúde, Caps. Aceite o momento presente, mas lembre-se que vai passar. Reconheça o esforço dos profissionais de saúde, segurança, limpeza e outros serviços essenciais que continuam trabalhando para que você fique bem", conclui. 

O Serviço de Apoio Psicológico Remoto é mais uma de tantas ações implementadas pela Prefeitura de Aracaju no enfrentamento ao novo coronavírus. A gestão municipal tem atuado em distintas frentes, de forma planejada, para cuidar da população e controlar a curva de contágio do vírus.