Setembro Amarelo: acolhimento e diagnóstico são importante à prevenção do suicídio

Saúde
01/09/2020 15h44
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No mês que marca a campanha de conscientização sobre a prevenção do suicídio, com o Setembro Amarelo, a Prefeitura de Aracaju, por meio da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), alerta sobre a importância da notificação para o desenvolvimento de ações de prevenção e linhas de cuidado, visto que é uma realidade que atinge fortemente a população, envolvendo diversos fatores que afetam diretamente a saúde mental.

E para facilitar o acesso aos serviços de saúde mental, a SMS oferta o atendimento com psiquiatra e psicólogo, nas referências da Rede de Atenção Básica. As consultas em psicologia foram suspensas, temporariamente, devido à pandemia, e voltaram a ser realizadas pelo atendimento presencial, inclusive nas referências de saúde mental infantis.

“Mantivemos o funcionamento dos Caps [Centro de Atenção Psicossocial] durante todo o período da pandemia. Para ter acesso ao serviço, não precisa de encaminhamento, e o familiar que quiser orientação, também pode se dirigir a algum dos Caps”, destaca a coordenadora da Reaps, Chenya Coutinho.

Para além desse serviço que se manteve ativo, a Secretaria Municipal da Saúde inovou criando o Serviço de Apoio Psicológico Remoto, através do 0800 729 3534, na opção 2, de forma gratuita e sigilosa, a partir do qual qualquer pessoa pode acessar. No que se refere especificamente à linha de cuidado para os casos de automutilação e tentativa de suicídio, pessoas próximas também podem buscar ajuda através do serviço.

“Pode ser um familiar, que não saiba como lidar ou um professor que está com o caso na escola e que também não sabe lidar, ou outra pessoa, que está com ideias recorrentes. O serviço psicológico não é psicoterapia, mas atua como escuta qualificada e também como um acompanhamento para os casos de tentativa de suicídio. Desde meados de junho, passamos a acompanhar, pelo serviço de apoio psicológico, os casos de notificação recebidos pelo Nupeva. E além desse serviço, essas notificações já vinham sendo encaminhadas para acompanhamento pelos CAPS”, explica Chenya.

A partir desse período, até o momento, já foram acompanhadas trinta pessoas, as quais já receberam alta, seja porque iniciaram o acompanhamento presencial ou por não apresentarem mais o pensamento recorrente. Nesse serviço de escuta qualificada para os casos encaminhados pelo Nupeva, são os psicólogos que realizam as ligações para os pacientes e fazem o acompanhamento remoto. Atualmente, doze pessoas com motivação ou ideia suicida, ou com casos de tentativa de suicídio ou de automutilação estão sendo acompanhadas pelos profissionais.

“Vale dizer que pessoas que ligam, buscando serviço e trazem na fala que já tentaram ou estão com essa ideia recorrente, após autorização, elas também entram nesse monitoramento no qual vão ficar recebendo ligações do serviço de apoio psicológico até receber alta”, salienta a coordenadora da Reaps.

Importância das notificações
Visto que a tentativa de suicídio e a automutilação são agravos de notificação compulsória imediata no SINAN/VIVA (Sistema de Informação de Agravos de Notificação/Vigilância de Violências e Acidentes), seja pelas Unidades Básicas de Saúde ou unidades hospitalares (públicas ou particulares) que acolhem esse paciente, é essencial contar com o trabalho dos profissionais de saúde.

“O SINAN/VIVA caracteriza-se como um instrumento epidemiológico disparador de cuidado, importante para os dados estatísticos dos casos, dando visibilidade e permitindo conhecer a magnitude do problema, principal local de ocorrência, motivação da violência, faixa etária, bairro, sexo, além de ser elemento-chave para atenção integral a essas pessoas em situação de violência”, ressalta a área técnica do Nupeva, Lidiane Gonçalves.

Na capital, além dos profissionais de saúde, o serviço assistencial que prestar o primeiro atendimento ao paciente também deve fazer essa notificação, em até 24h, pelo meio mais rápido disponível.

“No âmbito municipal, essa tomada rápida de decisão se dá logo após a notificação, com o encaminhamento e vinculação do paciente aos serviços de atenção psicossocial, de modo a prevenir que um caso de tentativa de suicídio se concretize, pois, as estatísticas demonstram um risco elevado de tentativas de suicídio posterior”, afirma Lidiane.

A técnica ressalta ainda a importância de todos os profissionais dos serviços de saúde do município, não apenas das UBS e hospitais, mas também do Centro de Especialidades Médicas (Cemar) e Centro de Atenção Psicossocial (Caps), estarem atentos a esses casos.

“É fundamental que eles promovam todo o cuidado necessário, que vai desde o acolhimento e diagnóstico do caso, até a notificação e encaminhamentos necessários para um acompanhamento multidisciplinar qualificado e humanizado”, orienta.