Equipes de saúde são capacitadas para implantar atendimento domiciliar em Aracaju

Agência Aracaju de Notícias
21/10/2020 17h11
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A Prefeitura de Aracaju, através da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), iniciou nesta quarta-feira, 21, um ciclo de capacitações para as equipes de profissionais que atuarão no Serviço de Atenção Domiciliar (SAD), novo programa da rede de saúde do município. A ideia do serviço é ‘desospitalizar’, ou seja, tirar do hospital, os pacientes que podem ser tratados em casa, com o suporte e o acolhimento necessários.

Esse tipo de atendimento tem se tornado comum em grandes cidades e traz vantagens tanto para os pacientes quanto para a própria rede de saúde, como explica Flávia Rosas da Silva, coordenadora do SAD. “A intenção é desospitalizar os pacientes que possam ser tratados em casa, que não estejam em estado grave, para, com isso, poder liberar leitos e otimizar custos”, explica Flávia.

Para isso, seis equipes compostas por médicos, fisioterapeutas, assistentes sociais, enfermeiros e técnicos realizarão visitas semanais aos pacientes, em suas próprias residências. É para poderem aprender mais sobre os cuidados específicos que o atendimento requer que as capacitações estão sendo promovidas. “Vamos trazer mais humanização, atendendo o paciente em casa, no conforto do lar, melhorando a assistência e abrindo leitos para aqueles que realmente precisam estar no hospital”, resume a coordenadora.

Os pacientes serão selecionados pelo hospital, que informará o perfil do paciente ao SAD. Se ele se enquadrar, a equipe entra em contato e verifica, inclusive, se a residência reúne condições para o acompanhamento. Coordenadora do Centro de Educação Permanente em Saúde (CEPS), onde ocorrem as capacitações, Jane Curbani Rodrigues ressalta que a implantação de um novo serviço implica em trazer novos conhecimentos, aprimorar técnicas, atualizar conteúdos teóricos e práticos.

“Estamos falando agora com um cuidado que é feito dentro de casa, então é preciso ampliar esse olhar”, destaca. Vale lembrar que o cuidador do paciente também participará dessa capacitação, junto aos profissionais, a fim de qualificá-lo também. Para isso, outras capacitações serão realizadas. “Serão seis encontros até o mês de dezembro, então à medida que as equipes vão entrando nos territórios e levantando as demandas, serão capacitados a partir dessas necessidades”, esclarece.

São seis equipes inicialmente. Cada um tem uma prática de saúde diferenciada, daí a importância de serem capacitadas para essa nova realidade. “É preciso aguçar o olhar do profissional para essa nova forma de fazer saúde, que agora é dentro de casa, onde, junto à família, ele poderá ter mais qualidade de vida. Por isso a Secretaria está investindo nesse projeto”, reforça Jane.

A mediadora dessa primeira capacitação foi a técnica da Rede de Atenção Primária, Sindaya Belfort, que coordena o programa Aracaju pela Vida. De acordo com ela, o serviço está ligado à rede de urgência, mas enquanto SUS Aracaju, se comunicará com as demais redes, exatamente o tema do primeiro curso. “O objetivo hoje é mostrar quem é o SUS Aracaju e quais são os serviços que ele oferta, porque os profissionais precisarão saber o que têm disponível para esse atendimento”

E esses serviços são, por exemplo, a rede de atenção primária, a urgência, a rede espacializada. “Por isso, precisam conhecer o fluxo entre uma rede e outra e os serviços, para que toda a infraestrutura disponível possa ser usada no tratamento dessa pessoa. Quanto mais informação eles tiverem, melhor uso eles farão dessa rede e, certamente, o atendimento será mais integral e completo”, ressalta Sindaya.

Um dos médicos que integra as equipes, Valdir Alves de Sá, participou desse primeiro curso. Ele acredita que a capacitação é fundamental para preparar os profissionais para o atendimento clínico em si do paciente e para esse acolhimento diferenciado. “Esse é o momento para sentar e entender o programa, definir o fluxo de retirada desse paciente dos hospitais, o direcionamento a especialistas, bem como a dispensação de medicação. A gente está em um momento de fomento do projeto como um todo”, resume o médico.

Para Valdir, o SAD é a interface perfeita entre a atenção primária e a rede de urgência, já que a intenção é desospitalizar e levar o paciente para casa. “Então, ao mesmo tempo em que estamos lidando com dinâmicas que são típicas da urgência, também estamos tratando com uma mentalidade muito mais sensível, de estar com o paciente em processo de adoecimento dentro de casa. É um projeto que demanda muitos dessas duas redes”, define.