Patrulha Maria da Penha mantém acompanhamento às vítimas de violência

Agência Aracaju de Notícias
24/10/2020 11h11
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Segundo dados do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMDH), no mês de abril, quando a pandemia completou dois meses, a quantidade de denúncias de violência contra a mulher recebidas no canal 180 cresceu quase 40% em relação ao mesmo mês de 2019, o que reforça a tese de que, com o isolamento social imposto pela pandemia, quando muitas vítimas tiveram que conviver com seus agressores, as estatísticas foram ampliadas.

Por isso, o serviço prestado pela Patrulha Maria da Penha, fruto de uma parceria entre a Prefeitura de Aracaju, através da Guarda Municipal, e o Tribunal de Justiça de Sergipe, foi mantido, mesmo com algumas alterações: devido à pandemia, as visitas tiveram que ser adaptadas, mas o serviço não foi interrompido.

A patrulha funciona 24h, todos os dias da semana, e atualmente 40 mulheres recebem as visitas dos guardiões. Além das visitas contínuas, a equipe também realiza patrulhamento em locais considerados de risco, seja nas proximidades da residência, do trabalho, ou de algum lugar que a vítima julgue ser de vulnerabilidade.

Para o secretário municipal da Defesa Social e da Cidadania, Luís Fernando Almeida, o trabalho traz mais empoderamento, coragem e mais proteção a essas mulheres. “A Patrulha Maria da Penha tem prestado um apoio imprescindível contra um dos crimes mais cruéis, que é a violência contra a mulher, que começa com agressões verbais, parte para agressões físicas e, muitas vezes, termina no feminicídio”, alerta o secretário.

De acordo com o secretário, o olhar dos guardiões precisou ser intensificado nesse momento. “O cuidado foi intensificado, para que não houvesse, em função disso, desvio de conduta por parte dos agressores”, ressalta. Coordenadora da Patrulha, a guardiã Vaneide Oliveira, concorda que o serviço tem sido fundamental.

“Nesse serviço, o mais importante é ter o contato visual com essas mulheres, para que seja possível perceber como elas se encontram, possibilitando, além da escuta, que também seja possível observar os gestos. É um elemento muito importante que, mesmo com a pandemia, nós mantivemos, através da substituição temporária das visitas presenciais. Evidentemente, em caso de chamados, nós atendemos. Mesmo com a pandemia, tivemos algumas assistidas que preferiram a visita presencial”, reforça.

As mulheres assistidas têm contato direto com as equipes através de canais de comunicação institucionais, que funcionam 24h, onde um deles é diretamente conectado às equipes de viatura. São quatro plantões. Dessa forma, mesmo que a mulher não receba o atendimento da equipe que realiza as visitas, há o alinhamento e acompanhamento compartilhado por toda a equipe.

Ao todo, 57 mulheres já foram assistidas pela Patrulha. Desde maio de 2019, o grupamento já realizou, em média, 66 visitas ou fiscalizações para cada mulher acompanhada. Nesse mesmo período, foram registrados 15 descumprimentos de medidas protetivas e 5 agressores foram presos.