De acordo com estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca), a previsão é de que 60 mil brasileiras serão acometidas pelo câncer de mama este ano. Assim, durante o banho ou em outras situações, fazer o autoexame das mamas é um dos primeiros passos para identificar um câncer mamário, ajudando a mulher a iniciar o quanto antes seu tratamento.
Adotando o exame de toque como uma atividade rotineira, o ideal é fazer a palpação das mamas entre o sexto dia após o fim do fluxo menstrual, em frente a um espelho, durante o banho ou deitada.
A enfermeira da área técnica do Programa Saúde da Mulher da Secretaria Municipal da Saúde (SMS) de Aracaju, Maria das Graças Nunes, explica que é necessário se tocar, se olhar, se autoavaliar e ter um calendário em casa dos exames primordiais. ”Quando a mulher se auto avalia, ela também tem uma noção. No autoexame das mamas podemos identificar algumas alterações e, a partir delas, precisamos buscar o mais rápido possível uma Unidade Básica de Saúde”.
No entanto, embora o autoexame seja importante, ele não configura um diagnóstico definitivo para a doença. Por isso, é importante procurar um médico para realizar os procedimentos necessários e obter um diagnóstico preciso, já que encontrar um nódulo significa necessariamente a presença de um câncer.
O próximo passo no cuidado contra é a realização da mamografia. A mamografia é como um raio-X das mamas, onde são comprimidas com uma intensidade leve a moderada de forma a deixar a distribuição das mamas homogênea. O exame gera imagens de alta qualidade capaz de revelar a existência de sinais precoces do câncer. “A mamografia é o padrão ouro para o diagnóstico precoce. Então, é fundamental que as mulheres, dentro da faixa etária de 50 a 69 anos, procurem uma UBS para realizar o que chamamos de mamografia de rastreamento”, pontua Maria das Graças.
Existem dois tipos de mamografia: a diagnóstica, realizada devido a alguma alteração, sinal de lesão ou sintoma que a mulher tenha, e a de rastreamento, chamada também de mamografia de rotina, já que é feita em mulheres que não tem nenhuma queixa, mas fazem periodicamente, a cada dois anos, como maneira de, caso encontre algo, realizar tratamento previamente.
De acordo com Maria das Graças, não é preciso descobrir um nódulo, um caroço, para fazer a mamografia, pois, como o nome já diz, é algo para rastreio, com o objetivo de avaliar as mamas. Para realizá-la em Aracaju, basta procurar uma Unidade Básica de Saúde, sem precisar entrar em uma fila de espera. No local, tanto médicos como enfermeiros poderão fazer a solicitação, que será realizado de forma rápida e com diagnóstico preciso.
Em 2019, o câncer de mama foi a segunda causa de óbito mais frequente no país, responsável por mais de 18 mil óbitos, de acordo com o DATASUS. Assim, realizar periodicamente o exame é muito importante, já que, quando é feito o diagnóstico precoce, as chances de cura são de até 95%. Como enfatiza a enfermeira, embora um pouco incômoda, a mamografia é totalmente tolerável e não deve ser temida pelas mulheres.
"O exame comprime as mamas de modo que causa certo incômodo, mas não é algo insuportável. É algo tolerável e a gente tem logo uma resposta, um diagnóstico. Esse exame é realizado por um técnico em Radiologia e, posteriormente, o laudo é emitido pelo médico. Nós não temos demanda reprimida. As equipes estão preparadas para isso”, reforça a enfermeira do Programa Saúde da Mulher em Aracaju.
O município registrou um total de 6.489 mulheres que realizaram a mamografia de rastreamento de janeiro até o dia 26 de outubro deste ano. De acordo com a enfermeira, foi uma queda significativa se comparado a 2019, quando 14.696 mulheres realizaram o exame. No entanto, ela considera a pandemia da covid-19 como um dos fatores para essa baixa procura.
“As mulheres que têm uma parente de primeiro grau como a mãe ou a irmã, que teve câncer de mama, não devem esperar para fazer essa busca ativa. Ela pode, a partir dos 35 anos ou até antes, se perceber algo de estranho, solicitar outros exames que também darão qualidade de resposta, no caso, a ultrassom mamária para este tipo de público que precisa de uma resposta rápida não realize de dois em dois anos”, orienta a enfermeira, ao destacar que, além da idade indicada pelos órgãos de saúde, mulheres com fator genético predominante, ou seja, que tenham casos de câncer de mama na família, devem buscar o exame um pouco mais cedo, aos 35 anos de idade“.