Na Assistência Social, psicólogos estão presentes em todos os níveis da Proteção Social

Família e Assistência Social
27/08/2021 15h58
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Em celebração ao Dia do Psicólogo, comemorado nesta sexta-feira, 27, a Prefeitura de Aracaju destaca o papel desses profissionais e suas relações com a Assistência Social do Muncípio nos equipamentos das Proteções Sociais Básica (PSB) e Especial (PSE) de Média e Alta Complexidade da capital sergipana.

O psicólogo que atua dentro do Sistema Único de Assistência Social (Suas) trabalha em consonância com o assistente social. A partir de intervenções integradas, individualizadas e coletivas, esse profissional tem como função empoderar os usuários, prevenindo situações de vulnerabilidade e risco social, fortalecer os vínculos familiares e comunitários, além de auxiliar na superação dos direitos violados.

“Agradeço a esses profissionais aguerridos à frente da política de assistência social. São psicólogos que integram as equipes nas unidades, estão na ponta dos nossos serviços. Com a escuta qualificada, buscam entender o contexto das histórias dos usuários para prevenir e eliminar todas as formas de violações de direitos. Ressalto nesse momento de pandemia do coronavírus que o trabalho desempenhado por eles ganhou mais relevância e tem sido primordial na manutenção dos serviços socioassistenciais dentro do nosso município”, destaca a secretária da Assistência Social de Aracaju, Simone Passos.

Em Aracaju, os psicólogos estão presentes em 32 unidades socioassistenciais, dentre elas, nos Centros de Referência da Assistência Social (Cras), Centros Especializados da Assistência Social (Creas), Casas Lares, Casa de Passagem, Abrigos, Centro Especializado para Pessoas com Deficiência (Centro Dia) e Centro de Referência Especializado para Pessoas em Situação de Rua (Centro Pop).

Segundo dados da Coordenadoria de Vigilância Socioassistencial da Assistência Social do município, em 2021, o número de atendimentos psicossociais nos equipamentos socioassistenciais, em todos os níveis da Proteção Social, foi maior em relação ao primeiro semestre do ano passado, totalizando mais de 10,6 mil.

Básica

Nos 17 Cras do município, o psicólogo, ao lado do assistente social, é voltado para a atenção e prevenção de situações de risco, atuando nas situações de vulnerabilidades por meio do fortalecimento de vínculos familiares e comunitários com o desenvolvimento de potencialidades pessoais e coletivas.

Graduada no ano de 2009, a psicóloga Danielle Pereira conheceu a política de assistência social ainda na faculdade, onde soube da existência de um Cras. Ela já havia atuado em Organizações não Governamentais (ONGs) como voluntária e oficineira em algumas unidades socioassistenciais de Aracaju.

“A política de assistência social propõe um olhar integral para a família e a associação do psicólogo junto ao assistente social traz o sentido de integralidade para termos uma compreensão mais global do usuário. Através da atenção, da escuta qualificada que fazemos, conseguimos construir um vínculo com o usuário fomentando a construção das potencialidades. Minimizamos os efeitos danosos das privações de acesso a direitos e trazer o lugar do esperançar. Ser psicóloga dentro da assistência social é nutrir diariamente o compromisso ético da psicologia com os Direitos Humanos”, contou.

Média Complexidade
Os Creas são equipamentos considerados de nível médio de complexidade porque realizam o acompanhamento de famílias e indivíduos que tiveram seus direitos violados ou ameaçados, cujos vínculos familiares e comunitários estão fragilizados, mas não foram rompidos, a exemplo de abandono, violência ou vivência de trabalho infantil. As equipes especializadas atuam junto às famílias com o objetivo de garantir os direitos socioassistenciais e fortalecer os vínculos familiares.

Há dez anos, a psicóloga Andréa Pereira atua na área da assistência social. Ela já passou por Cras, Centro DIA e atualmente está lotada no Creas Viver Legal no conjunto Castelo Branco, bairro Ponto Novo, onde completará um ano no próximo mês. Formada desde 2006, começou a trabalhar em ONGs de assistência social que atendiam crianças e jovens. Segundo ela, é uma área que chama sua atenção.

“Sempre me abriu portas. É um campo muito rico de trabalho para a psicologia. Trabalhamos no acolhimento, na orientação e no encaminhamento dessas famílias para facilitar seus acessos a outras políticas intersetoriais através de atendimentos individualizados, em grupo, domiciliar, atividades e visitas institucionais para a articulação com a rede. O objetivo maior é fazer com que superem a situação de negligência. Dentro da assistência social, a psicologia desenvolve um papel fundamental porque auxiliamos no processo de fortalecimento de vínculos e questões psicossociais das famílias. Me sinto muito feliz em atuar na área. É um trabalho muito gratificante, apesar das dificuldades”, contou.

Alta Complexidade
Desde 2018, o psicólogo Marcel Maia atua no Acolher, uma Casa de Passagem institucional para a população em situação de rua da capital. A assistência social está presente em sua vida há 11 anos. Antes de ir para o Acolher, ele atuou durante oito anos no Cras Maria José de Menezes, no bairro Coqueiral.

“É um equipamento com um público heterogêneo, diversificado. Minha atuação passou a ser um pouco mais particularizada, de entender o que o (a) levou fazer para que vivessem em situação de rua, as dificuldades e as perspectivas de vida de cada um. É um exercício diário. Meu papel é focar em uma escuta que não é clínica, sobre o que podemos traçar, ao lado do assistente social, junto aos acolhidos, perspectivas de saídas daquela situação para que consigam ser autônomos e protagonistas de suas novas histórias. Ser psicólogo é um grande desafio de vida, não somente uma escolha profissional. É uma área muito árdua, difícil e aqui na assistência com muitos desafios que fogem do assistencialismo pregado por muitos anos”, relatou.

Fernanda Nunes é psicóloga das Casas Lares do município que abrigam crianças e adolescentes ou grupos de irmãos sob medida protetiva com acolhimento de média ou longa duração. Ela atua na assistência social desde o ano que se formou, em 2011. Sua primeira experiência foi vivenciada no Cras Santa Maria, no bairro Santa Maria, depois, no Abrigo Sorriso, outra unidade de acolhimento para crianças.

“Entrar nessa área foi muito importante para o meu fazer profissional e pessoal. Não mudaria a minha trajetória. Hoje, escolheria a assistência social. Meu papel é pautado na identificação do EU, de escutá-los (as) e fazer com que assimilem a ideia de que são sujeitos de direitos e tenham autonomia. É fazer com que sua história não seja o fim de uma vida, seja uma marca, mas algo que ele (a) possa ressignificar para um novo futuro. A psicologia é uma forma de nós enxergarmos o outro sobre a realidade que ele alcança. O tempo inteiro sou provocado a enxergar o mesmo cenário sobre uma ótica diferente e isso é o que me indaga dentro da psicologia. Sou muito apaixonada pelo que faço”, falou.