Poeira no inverno e lama no verão: essa é a realidade enfrentada há anos pelos moradores da comunidade Recanto da Paz, no bairro Aeroporto. Esse cenário, entretanto, está em completa transformação. As ruas, até então desprovidas de infraestrutura, deram lugar ao canteiro das obras de urbanização que a Prefeitura de Aracaju executa em toda a localidade, desde outubro do ano passado.
O projeto conta com um investimento de R$ 8,5 milhões, fruto de um convênio do Município com o Ministério do Desenvolvimento Regional, e contempla a implantação de calçadas, de redes de drenagem e de esgotamento sanitário e a pavimentação de todas as 25 ruas da comunidade, além da construção de uma praça e da ligação da rede de esgoto em 630 residências.
Quase três meses após o início das obras, o sorriso no rosto dos moradores da comunidade reflete o contentamento de assistir à concretização do sonho de viver numa localidade com infraestrutura básica, o que garante mais dignidade e qualidade de vida e a valorização dos imóveis.
“Eu já estava para largar minha casa e ir embora, porque aqui, quando não é água, é poeira, mas agora que eu estou vendo as obras acontecendo, eu vou é ajeitar minha casa, vou sair daqui mais não”, declara a aposentada Valdete da Costa Fagundes, de 64 anos, moradora da comunidade há 17 anos. “Essa obra vai mudar nossas vidas, se Deus quiser”, diz.
A aposentada conta que, em períodos chuvosos, devido à falta de infraestrutura da rua em que mora, chegou a perder diversos móveis, pois a água da chuva acumulava e entrava em sua casa. Agora, acompanhando o avanço da obra, ela aguarda ansiosa para desfrutar dos benefícios junto à neta, que hoje tem apenas nove meses de idade.
“Quando vim morar aqui, minha filha era pequenininha e pra levar na escola era no braço ou só com um carroceiro. Espero que daqui pra frente, quando minha neta estiver com seus 5 anos, isso aqui esteja bem diferente, esteja bem bonita a nossa rua”, diz Valdete.
Lindomária Reis Araújo, de 39 anos, dona de casa, reside no Recanto da Paz há três anos. Mesmo tendo chegado a pouco tempo, ela reconhece as dificuldades que a falta de saneamento básico provocam no cotidiano, seja em relação à mobilidade ou até mesmo as consequências negativas para a saúde dos moradores da localidade.
“Aqui, o que as pessoas mais desejam é o calçamento e a rede de esgoto, é com o que estamos mais ansiosos”, destaca Lindomária. “Já vi vizinhos terem a casa invadida pela água, mas agora vivemos o início de um sonho que já está acontecendo, e que não vemos a hora disso terminar logo. É, com certeza, o nosso maior anseio, ver essa obra pronta”, revela.
Maria José Feitosa da Cruz, de 68 anos, mora há 15 anos no Recanto da Paz e o que mais lhe afeta é comum a outros moradores: lama durante o inverno e poeira no verão. A situação já ficou difícil ao ponto de, segundo ela, a água da chuva invadir a casa dos seus dois filhos, que moram na mesma rua que ela. Com a urbanização da comunidade, a perspectiva é de que tudo isso fique no passado.
“A sensação de ver o pessoal trabalhando é boa demais, pra gente que mora aqui. Essa obra vai valorizar tudo e dar qualidade de vida pra gente. Vamos pagar os impostos, mas é bom pra gente que é algo fixo e vamos ficar com algo nosso, com tudo regularizado. Eu não via a hora de chegar o saneamento completo aqui. Quando o prefeito veio assinar a ordem de serviço eu acompanhei, eu estava lá na rua, porque essa obra é o início de um sonho. Hoje, quando eu peço um táxi ou motorista de aplicativo, alguns poucos vêm, é uma dificuldade enorme. Às vezes quando chega lá na avenida eles já deixam a gente, não entram na comunidade porque sabem como é a situação aqui dentro, mas sei que agora isso vai mudar”, garante Maria José.
Um dos moradores mais antigos do Recanto da Paz, José Baia da Silva, de 65 anos, está há mais de três décadas na comunidade. Foi lá que ele ergueu sua casa, formou sua família, construiu toda a sua vida e firmou laços de amizade. Segundo ele, a realização da obra é o atendimento de uma demanda que é de toda a comunidade.
“Aqui eu já vejo as coisas mudando, com o pessoal trabalhando nas ruas, fazendo os serviços iniciais. Essa era uma obra que estávamos precisando há muito tempo. Quando aqui enche de água nas ruas, inunda as casas, é um problema danado pra todo mundo. Quando terminar, eu quero ver os carros passando tranquilamente aqui, na rua calçada, asfaltada, com rede de esgoto. Agora, a oportunidade é de que as coisas melhorem”, afirmou esperançoso.