Educação antirracista: encerramento da quinta edição do Projeto Ilé-Iwé celebra avanços e conquistas

Educação
17/11/2025 17h30
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Esta segunda-feira, 17, foi um dia destinado a celebrar os avanços no campo do letramento racial na Educação Pública. No auditório do Ministério Público do Estado de Sergipe (MPE-SE), aconteceu o encerramento da 5ª edição do Projeto Ilé-lwé, uma iniciativa da Prefeitura de Aracaju, promovida por meio da Secretaria Municipal da Educação (Semed), com o apoio da instituição de Justiça.

Participaram do evento servidores da Secretaria Estadual da Educação (Seed), além de profissionais de secretarias municipais da Educação, professores e alunos da rede pública de Aracaju, Barra dos Coqueiros, Nossa Senhora do Socorro, São Cristóvão e Laranjeiras, todos parceiros do projeto.

Ilé-lwé é um termo Iorubá, língua de origem africana, que significa escola. Na Educação de Aracaju, o projeto é executado pela Coordenadoria de Políticas Educacionais para a Diversidade (Coped). Ele consiste em ofertar formação continuada a coordenadores pedagógicos e professores da rede pública, com o intuito de fazer cumprir as leis nº 10.639/2003, nº 11.645/2008, e nº 12.796/2013, que tornaram obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira, indígena e quilombola, bem como a inserção da diversidade como princípio educativo no currículo oficial da rede de ensino.

Para a professora e técnica de referência em letramento racial da Coped, Valdinete Paes, a solenidade foi especial pelo fato de trazer à tona os frutos que o Ilé-Iwé tem gerado, sobretudo por se tratar de um evento no mês dedicado à Consciência Negra. “Estamos encerrando com sucesso este ano, e hoje é um momento de celebração, em que os representantes das secretarias expõem o que estão realizando nos seus municípios. Essas realizações são resultado do trabalho que estamos fazendo com o Projeto Ilé-Iwé. É muito importante esse momento, porque está consagrando as nossas ações. Está mostrando que têm dado certo”, destacou.

O diretor da Coordenadoria de Promoção da Igualdade Étnico-Racial (Copier) do MPE, promotor de justiça Julival Pires Rebouças Neto, enalteceu a relevância do projeto e do enfoque das capacitações neste ano, que trataram do uso dos livros didáticos. “É muito importante fazer essa mudança de paradigma dentro das secretarias para substituir a visão eurocentrada por uma visão afrocentrada em relação à escolha dos livros didáticos”, ressaltou o promotor.

A Consultora extraordinária da Semed, Dayse Prado, representou a secretária da Educação de Aracaju, Edna Amorim, no evento. Ela abordou os impactos positivos propiciados pelo projeto a favor da igualdade étnico-racial na rede municipal e o quanto a secretaria tem se debruçado em propostas pedagógicas dessa natureza. “Avançamos com essas formações de professores. Esse projeto busca contribuir para que as desigualdades sejam minimizadas e, com esse objetivo, neste ano, adquirimos livros sobre afroletramento para os professores do 1º ao 5º ano usarem em sala de aula, além do livro 'Ílumó: Quilombo Maloca', de autoria do professor Roberto Amorim, para estudantes do 6º ao 9º ano”, disse Dayse Prado.

Os livros da Coletânea Afroletramento, da editora goiana Inteligência Educacional, são de autoria de Edergênio Negreiros Vieira e já estão em uso em cerca de 40 escolas municipais de Aracaju. 'Ílumó: Quilombo Maloca' já chegou à Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Deputado Jaime Araújo, no Lamarão, e em breve chegará a mais unidades. Com esses materiais literários, é possível que os professores ampliem a abordagem a conteúdos referentes à história, cultura afro-brasileira e diversidade em sala de aula.

Professores relatam experiências

Focados numa perspectiva afrocentrada e antirracista no contexto educacional, no evento de hoje, docentes das redes envolvidas apresentaram as ações estimuladas pelo Ilé-Iwé. A professora de Língua Portuguesa da Emef Sérgio Francisco, Danielle Andrade, representou a rede de Aracaju na ocasião.

Em sua exposição ao público, ela relatou as ações afirmativas exitosas que foram realizadas neste ano letivo na unidade, como a exibição de vídeos, elaboração de atividades impressas, conversas no dia a dia e a execução de projetos, a exemplo do Rodas de Griô, que visa levar anciões e anciãs, pretos-velhos e pretas-velhas das comunidades, a narrarem suas experiências com o objetivo de reforçar sentimentos de pertencimento, identidade e valorização da ancestralidade negra.

“Nós, equipe docente e equipe diretiva, acreditamos que trabalhar com essas temáticas da questão do negro, da consciência negra, ações afirmativas antirracistas, é importante para os nossos alunos, que são, em grande parte, alunos negros e, de certa forma, carentes. E nós, através desse trabalho de letramento racial, temos percebido mudanças significativas em como eles se percebem, uma evolução na maneira como eles se posicionam e como entendem essas questões”, afirmou a professora Danielle Andrade.