Projeto Negritude: Escola Municipal Anísio Teixeira promove o respeito e valorização à cultura afro-brasileira

Educação
20/11/2025 08h20
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Na Escola Municipal de Ensino Fundamental Anísio Teixeira, no bairro Atalaia, os trabalhos pedagógicos voltados à valorização e ao respeito à cultura afro ocorrem durante todo o ano letivo por meio do Projeto Negritude. Em novembro, mês dedicado à Consciência Negra, comemorada nesta quinta-feira, 20, as atividades são intensificadas por meio de apresentações e exposições que mostram os resultados das práticas educacionais de combate ao racismo e a favor da igualdade étinico-racial. 

Na unidade de ensino, alunos e professores do 1º ao 9º ano estão engajados nas ações que estimulam o conhecimento e a reflexão acerca da importância da herança africana e da população negra no Brasil. Desde o início do mês, as paredes da escola estão enfeitadas com artes e imagens ‘de A a Z’ de personalidades negras, brasileiras e estrangeiras, que são ícones e referências em suas áreas de atuação, seja arte, cultura, política ou educação, uma forma de evidenciar que o povo preto pode ocupar qualquer espaço que desejar.

Na tarde desta quarta-feira, 19, aconteceu a culminância das ações do projeto, com a realização do Desfile da Beleza Negra, em que alunos desfilaram com roupas que enalteceram a identidade afro-brasileira, algumas delas elaboradas por eles próprios com materiais recicláveis. Todas essas ações são fruto do Projeto Negritude, idealizado pela diretora da escola, Sandra Leite. 

Segundo ela, o ano inteiro a temática é trabalhada na unidade por meio da leitura de livros, atividades interdisciplinares, avaliações, além de intervenções e diálogos com alunos ao se identificar a reprodução de quaisquer atitudes racistas. “Um tema tão importante quanto o racismo, que fere a alma, a integridade da pessoa humana, não deve ser tratado apenas num recorte de um mês, mas sim debatido no cotidiano da vida escolar”, justificou.

A diretora discorreu sobre a motivação ao criar esse projeto. “Nós temos uma população negra muito expressiva nas escolas, e eles precisam se entender nesse processo da sociedade, se respeitar, se amar e ver a sua identidade sendo reconhecida com dignidade, respeito e amor. É preciso desconstruir a visão racista na escola e fazer com que os nossos alunos pretos se sintam acolhidos por toda a comunidade. É com essa proposta que desenvolvemos esse projeto”, declarou Sandra Leite.

Sobre o ponto alto das ações ser um desfile, a diretora esclareceu que a finalidade ultrapassa os conceitos mais atrelados a esse tipo de evento. “Vamos propagar a valorização e o reconhecer-se com amor próprio. Esse é o objetivo desse desfile. Não é apenas uma questão de beleza negra, é para além disso. É uma forma de difundir a autovalorização e mostrar para toda a sociedade que existimos. Precisamos mostrar que estamos aqui, amamos estar aqui, e precisamos ser vistos e respeitados como pessoas pretas”, afirmou Sandra Leite.

O Projeto Negritude tem contribuído para a construção de um ambiente mais harmonioso e para a formação de jovens mais conscientes em relação à ancestralidade negra. Para a aluna Rafaela Victória, combater o racismo na escola é extremamente importante, uma vez que ajuda os alunos a desenvolverem o respeito uns com os outros e valorizarem a história do povo negro. Ela participou do Desfile Beleza Negra, o qual ela considerou como um meio de fortalecer seu sentimento de identidade. “Mostramos que o povo preto é lindo e deve ser respeitado. Aqui, também é um espaço de resistência e nós negros temos que aproveitar para que o mundo possa ver que somos muitos e muito unidos, e que devemos ser respeitados”, disse a estudante.

Para o aluno Thiago Rodrigues, do 9º ano, foi muito significativo desfilar pelo projeto. “Foi para mim um ato muito além de um simples evento. Trata-se de um gesto de empoderamento que proporciona o fortalecimento da identidade e permite a visibilidade para nós negros”, contou.