Orquestra Sanfônica e sanfona de oito baixos marcam programação do XIX Fórum do Forró

Secult Aju
06/05/2026 09h11
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A sanfona de oito baixos está na base do forró antes mesmo de o gênero ganhar projeção nacional. Com som direto e cadenciado, o instrumento, também conhecido como “pé-de-bode”, é marcado pelo funcionamento por botões e pela movimentação do fole, em que cada nota varia no abrir e fechar, exigindo precisão e técnica. Essa sonoridade ajudou a construir a identidade musical nordestina e segue como referência do forró tradicional, e é a partir dessa raiz que o XIX Fórum do Forró, realizado pela Prefeitura de Aracaju, por meio da Secretaria Municipal da Cultura (Secult Aju), nos dias 11 e 12 de maio, dedica parte de sua programação à origem do ritmo e a alguns de seus elementos essenciais.

Entre os destaques desta edição do Fórum do Forró está a participação da Orquestra Sanfônica de 8 Baixos de Santa Cruz do Capibaribe (PE), considerada a única formação do país dedicada exclusivamente a esse formato. O grupo se consolidou como referência na preservação e difusão da sanfona de oito baixos, reunindo sanfoneiros que ampliam as possibilidades do instrumento sem abrir mão de sua essência tradicional.

Mais do que uma apresentação artística, a presença da orquestra no XIX Fórum do Forró representa um marco para o evento e para o fortalecimento do forró tradicional, ao evidenciar a força de uma iniciativa que transforma um instrumento historicamente popular em uma experiência coletiva de grande impacto sonoro e cultural. Para o secretário municipal da Cultura, Paulo Corrêa, a presença da orquestra reforça o propósito do evento. “O Fórum tem esse papel de valorizar a origem do forró, e a sanfona de oito baixos é parte fundamental dessa história, e trazer a orquestra é uma forma de mostrar a força deste instrumento e sua importância para a nossa cultura”, destacou.

A trajetória da Orquestra Sanfônica de 8 Baixos também é marcada pela atuação de Bento Zabumba, músico e luthier de Santa Cruz do Capibaribe (PE), reconhecido como um verdadeiro patrimônio do forró pé-de-serra. Integrante do grupo desde a fundação, ele representa a continuidade de um saber construído a partir da vivência, da prática e da relação direta com o instrumento. “A gente vive torcendo para esse instrumento nunca se acabar”, resume Bento ao destacar o compromisso coletivo que sustenta a orquestra desde 2007.

Bento relembra o surgimento da orquestra e a missão que segue guiando o grupo ao longo dos anos. “A orquestra sanfônica foi fundada em 2007, no dia 20 de abril, quando surgiu a ideia de reunir tocadores de oito baixos, um instrumento que já estava em processo de extinção e que é parte fundamental da história do forró, iniciado lá atrás com Seu Januário e também presente na trajetória de Luiz Gonzaga. A gente foi entendendo, com o tempo, a responsabilidade de não deixar esse som acabar, porque ele carrega a nossa cultura, o nosso sertão e a nossa identidade. Desde então, seguimos trabalhando, viajando e tocando em vários lugares, sempre com esse compromisso de manter o oito baixos vivo e presente”, conta.

A participação da orquestra acontece no dia 12 de maio, no Teatro Atheneu, dentro da programação que reúne debates, homenagens e shows voltados à valorização do forró tradicional. A agenda do dia inclui, às 15h, o debate “8 Baixos: A Origem do Forró”, com Luizinho Calixto e Robertinho dos 8 Baixos, mediado por Paulo Corrêa; às 16h30, o tema “Sergival e as Coisas do Caçuá”, com participação do próprio Sergival; e, às 19h, as apresentações artísticas com Robertinho dos 8 Baixos, a Orquestra Sanfônica de 8 Baixos de Santa Cruz do Capibaribe (PE) e Sergival, encerrando a programação com encontros que reforçam a força e a diversidade das expressões do forró. 

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