Um encontro marcado pela escuta, acolhimento e fortalecimento feminino. Assim foi a ação do projeto Florescer com Elas, realizada em Aracaju com mulheres atendidas pelo Centro de Referência de Atendimento à Mulher (CRAM), vinculado à Secretaria Municipal da Mulher (SerMulher).
A iniciativa foi conduzida por facilitadoras do Tribunal de Justiça, com base na metodologia da Justiça Restaurativa. A proposta utiliza dinâmicas em grupo para estimular o diálogo, o autocuidado e a autoestima. Durante a atividade, as participantes formaram uma roda de conversa, em um espaço sem hierarquia, onde todas puderam falar e ser ouvidas.
Elementos simbólicos ajudaram a conduzir o encontro. A flor de lótus representou a força e a superação; a girafa, símbolo da Comunicação Não Violenta, reforçou a importância da escuta e da empatia; já botão, ramo e flor simbolizaram as fases de crescimento e transformação vividas pelas participantes.
A programação incluiu diferentes dinâmicas. Em uma delas, com dança circular, as mulheres refletiram sobre sentimentos e dificuldades que desejavam deixar “do lado de fora” do círculo, como ansiedade, medos, traumas, problemas financeiros e de saúde.
Também houve espaço para reconhecer qualidades como coragem, gratidão e compaixão. Muitas participantes destacaram essas características em outras mulheres do grupo e, ao longo da atividade, passaram a identificá-las em si mesmas, fortalecendo o exercício do autocuidado e do amor próprio.
Durante todo o encontro, foram comuns demonstrações de apoio, empatia e incentivo entre as participantes, além de agradecimentos à equipe da SerMulher pelo acolhimento oferecido no CRAM.
A secretária da SerMulher, Elaine Oliveira, que participou da ação, ressaltou a importância da iniciativa. “Momentos como esse fortalecem o acolhimento às mulheres e mostram a importância da parceria entre as instituições para ampliar ações voltadas às vítimas de violência”, afirmou.
A facilitadora Daniela de Holanda, do Centro de Atendimento às Vítimas de Crimes e Atos Infracionais do Tribunal de Justiça, explicou que o projeto, passa a ser itinerante. “É um espaço de construção de paz, onde buscamos criar um ambiente seguro para que elas possam falar. Não é terapia, mas é terapêutico. É um momento de autocuidado e de resgate da autoestima”, destacou.
Simone Guimarães também reforçou o objetivo da ação: ampliar o alcance do projeto e oferecer um espaço seguro para que mais mulheres possam compartilhar suas histórias. “A proposta é mostrar que é possível ressignificar a vida, mesmo após situações de violência”, concluiu.
Ao final, o sentimento predominante foi de encorajamento. Mesmo diante das dificuldades, as participantes destacaram a importância de seguir em frente, reconhecendo em si mesmas a força necessária para reconstruir suas histórias.