O ponto de concentração do cortejo aconteceu na praça General Valadão, onde representações de todos os Centros de Atenção Psicossocial (Caps) de Aracaju entre outros setores da sociedade aracajuana estavam caracterizados com camisas e cartazes que ressaltavam os direitos dos portadores de transtornos mentais. Após as instruções da organização do evento, o cortejo prosseguiu pelo calçadão da rua João Pessoa com muita música e distribuição de panfletos da programação até a praça Fausto Cardoso onde houve apresentações artísticas e um bazar realizado pelos próprios pacientes.
“Esse cortejo abre nossas comemorações da Semana da Luta Antimanicomial na cidade. Diferentemente de outros lugares do Brasil, que comemoram apenas o dia 18, como luta antimanicomial, decidimos fazer uma semana inteira de comemorações e atividades tanto para os nossos usuários quanto para o público que está convidado para participar das atividades de forma gratuita. A proposta deste cortejo é chamar a atenção do maior número de pessoas para essa luta”, explica o coordenador da Estratégia de Redução de Danos, Vagner Mendonça.
A coordenadora da Rede de Atenção Psicossocial (Reaps), Karina Cunha, ressalta que essa luta já faz parte do calendário de comemorações da saúde pública de Aracaju tendo como objetivo máximo chamar a atenção das pessoas no tocante aos direitos dos usuários dos Caps. “Esse evento marca a história de luta do fechamento dos hospitais e clínicas de saúde mental por Unidades de Saúde com multiprofissionais que trabalham de forma integral com os pacientes. Queremos combater o preconceito que ainda existe e mostrar que é possível viver em qualquer lugar com os nossos usuários”, defende.
Parcerias do evento
Segundo a professora do Departamento de Enfermagem da Universidade Federal de Sergipe, Lausimary Araújo, a parceria entre a SMS e a UFS, colabora no aprendizado prático dos alunos. “Colocar em prática os ensinamentos da disciplina de enfermagem psiquiátrica é essencial para o aprendizado, e essa semana vem reforçar o ensino e participação dos alunos na vivência com o usuário”, pontua a professora.
Já a também docente da UFS, Karen Emanuella disse que esse contato desperta no aluno o desejo de trabalhar com a Saúde Mental, além de ajudar a combater o preconceito.
Atendimento Psiquiátrico
A secretária municipal de Saúde, Stella Maris Moreira, explica como acontece o processo de atendimento em saúde mental na capital. “Segundo o Ministério da Saúde, Aracaju é considerada referência nacional neste tipo de atendimento. Dispomos de seis Caps, quatro residências terapêuticas, uma Urgência Mental (Hospital São José), o serviço de referência contra álcool e outras drogas no Hospital Cirurgia, além de seis Unidades de Saúde da Família com referência em saúde mental. São investimentos que fazemos diariamente a fim de levar mais qualidade de vida à população”, encerra.