Assistência Social

Maestro Evanilson é exemplo de superação e amor ao forró

Reportagens Especiais
13/06/2011 11h29

Por Catarina Schneider (Estagiária)

"Deficiência é só um obstáculo, mas não vem para determinar o fim de nada. Quando você mostra o que você é e a sua capacidade, as pessoas já não enxergam mais deficiência em você". Músico há 24 anos, Evanilson Vieira conseguiu se tornar um artista renomado e mostrar que não há empecilho quando existe vontade de vencer.

Nascido em Simão Dias, local onde viveu grande parte da sua vida. A deficiência visual não lhe permitia enxergar quase nada e, por isso, a audição sempre foi seu guia. Desde criança, teve uma ligação muito forte com a música e habilidade para aprender as letras das canções. Aos nove anos de idade teve seu primeiro contato direto com a música, ao assistir o seu tio tocar acordeon numa festa. "Quando ouvi o som daquele instrumento eu me apaixonei", relembra. A partir de então, o acordeon se tornou o principal personagem de seus sonhos.

Início

O ritmo que sempre esteve ligado a Evanilson foi o forró, pois era o que mais lhe fascinava. Quando completou 12 anos, foi estudar no Instituto de Cegos, em Salvador-BA, onde construiu sua base profissional como músico. Lá ele conseguiu embasamento teórico e se formou em piano clássico, tudo através do sistema Braille. Permaneceu em Salvador durante seis anos, e pôde conhecer outros instrumentos como a zabumba, pandeiro, violão e o acordeon, que continuava sendo a sua paixão. Porém, depois de algum tempo, teve que voltar para Sergipe. "Houve essa interrupção nos meus estudos que prejudicou a minha vida até hoje", conta ele.

Voltou à sua cidade natal como músico e, apesar da pouca idade - tinha apenas 18 anos - começou a trabalhar tocando triângulo numa banda de forró. Com o dinheiro que recebeu, conseguiu realizar o seu sonho de garoto: comprou seu primeiro acordeon. "Com a sanfona na mão eu passei a tocar em quadrilhas, acompanhar alguns artistas. Participei de algumas bandas, sempre variando bastante os estilos de músicas", conta ele.

Novos rumos

Depois de ter se consagrado musicalmente na sua cidade, resolveu tentar uma nova vida na capital. Usando a música como uma forma de inclusão, conseguiu superar vários episódios no qual era discriminado pela sua deficiência. "Como já tinha experiência de viver em uma cidade grande, quando cheguei aqui, eu me locomovia sozinho, e as pessoas achavam que eu era incapaz disso", lembra.

Foi aí que ele conheceu a Escola Oficina de Artes Valdice Teles, onde construiu seu futuro musical em Aracaju. Lá ele continuou as aulas de música, participou de corais, abriu o curso de acordeon, conheceu músicos e pôde, então, divulgar o seu trabalho. "Com essa oportunidade, logo que cheguei já estava tocando em uma banda", conta ele. Além disso, criou um coral formado por deficientes visuais, onde é maestro e tecladista até hoje. Evanilson também foi presidente, durante dez anos, da Associação dos Deficientes Visuais de Sergipe (ADEVISE).

Em 2007 sua vida mudou mais uma vez. Surgiu um projeto inovador que precisava de alguém que tivesse garra e determinação para conduzi-lo. Esse projeto se tratava de uma orquestra formada por sanfonas, com o objetivo especial de divulgar a cultura nordestina. Sendo assim, não poderia haver pessoa mais adequada para conduzir a Orquestra Sanfônica de Aracaju do que Evanilson Vieira, que foi chamado para ser o maestro da Orquestra e conseguiu transformá-la em um dos maiores símbolos de Aracaju.

 

Últimas Notícias